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Anvisa concede autorização para a Embrapa realizar pesquisas com cultivo de Cannabis 

A Anvisa concedeu uma autorização excepcional na quarta-feira (19) para que a Embrapa desenvolva estudos científicos sobre o cultivo da Cannabis sativa. A permissão é exclusiva para pesquisa e está sujeita a regras rigorosas de segurança e controle. 

Antes de iniciar os plantios, a Embrapa será submetida a uma inspeção presencial pela agência para garantir que todas as exigências previstas sejam cumpridas, e a Anvisa manterá acompanhamento contínuo, podendo solicitar ajustes ao longo do processo. 

Três frentes de investigação

De acordo com a Embrapa, a autorização cobre três linhas principais de pesquisa:

1. Germoplasma — caracterização e conservação do material genético da planta, com a criação de um banco nacional. 

2. Cannabis medicinal — estudos agronômicos, manejo da planta e extração de moléculas para aplicações terapêuticas. 

3. Cânhamo industrial — pré-melhoramento genético para produção de fibras e sementes. 

Além disso, a Embrapa planeja realizar pesquisas de pós-colheita, como a extração de canabinoides, a criação de uma “extratoteca” (banco virtual de moléculas), análise química e avaliação de subprodutos e bioinsumos. 

Segurança, controle e restrições

A autorização proíbe a comercialização de qualquer produto derivado das pesquisas. 

A Embrapa poderá apenas enviar material vegetal não apto para propagação para outras instituições de pesquisa autorizadas. 

A Anvisa acompanhará todo o processo e tem poder para exigir correções caso identifique falhas nas medidas de segurança. 

Impacto estratégico

Para a Anvisa, a decisão representa um compromisso com ciência, inovação e segurança sanitária. O diretor relator do processo, Thiago Lopes Cardoso Campos, afirmou que “é a ciência quem deve guiar o país” e destacou que a autorização permite ao Brasil produzir conhecimento próprio, fortalecer sua autonomia tecnológica e servir ao desenvolvimento nacional. 

A Embrapa, por sua vez, considera a autorização um marco institucional importante. Segundo a empresa, os estudos vão reforçar a base técnica brasileira para temas que interligam agricultura, saúde pública e bioeconomia, além de gerar subsídios para políticas públicas e regulação futura. 

Desafios e próximos passos

Garantir que todo o controle sanitário se mantenha rigoroso é um dos principais desafios para a Anvisa e a Embrapa.

Como os resultados são restritos à pesquisa (sem possibilidade de comercialização), o impacto imediato será científico, e só no longo prazo poderá haver desdobramentos regulatórios e produtivos.

Os dados gerados nas frentes de germoplasma, uso medicinal e cânhamo industrial poderão embasar futuras políticas públicas, regulamentações e desenvolvimento industrial da cannabis no Brasil.

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