A União Europeia anunciou nesta terça-feira (12) a suspensão das importações de carnes e animais vivos provenientes do Brasil, em uma decisão que atinge diretamente o agronegócio brasileiro e amplia a pressão internacional sobre os controles sanitários da pecuária nacional.
A medida foi adotada após atualização das normas sanitárias do bloco europeu, que passou a exigir regras mais rígidas para países exportadores. Segundo autoridades europeias, o Brasil não apresentou garantias consideradas suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos e antibióticos na criação animal, requisito que passou a ser obrigatório para manutenção das exportações ao mercado europeu.
Com a decisão, frigoríficos brasileiros perdem autorização para novos embarques destinados aos países da União Europeia até que o governo brasileiro consiga comprovar adequação integral às exigências sanitárias impostas pelo bloco.
O mercado europeu é considerado estratégico para o setor pecuário brasileiro, principalmente na exportação de carne bovina premium e produtos de maior valor agregado. A suspensão preocupa exportadores e representantes da indústria frigorífica, que avaliam possíveis impactos financeiros e comerciais nas próximas semanas.
A decisão ocorre em meio ao avanço das discussões sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia, que enfrenta resistência de produtores rurais europeus. Nos bastidores, agricultores de países como França, Bélgica e Irlanda pressionam seus governos por restrições mais duras a produtos agropecuários vindos da América do Sul.
De acordo com fontes do setor, a União Europeia passou a exigir mecanismos mais rigorosos de rastreabilidade, fiscalização veterinária e controle de medicamentos utilizados na produção pecuária. Países que conseguiram atender às novas regras permaneceram habilitados a exportar ao bloco europeu.
Até a última atualização, o Ministério da Agricultura ainda não havia divulgado oficialmente quais medidas pretende adotar para tentar reverter a suspensão. Técnicos da pasta analisam os critérios apresentados pela União Europeia e discutem alternativas diplomáticas e sanitárias para restabelecer o acesso do Brasil ao mercado europeu.
Representantes do agronegócio defendem uma resposta rápida do governo federal para evitar prejuízos maiores ao setor exportador, enquanto especialistas avaliam que a decisão pode acelerar mudanças nos protocolos sanitários e nos sistemas de controle da pecuária brasileira.