O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, na quinta-feira (30), a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A investigação apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações relacionadas à comercialização de medicamentos à base de cannabis em programas vinculados ao Ministério da Saúde. O procedimento tramita sob sigilo.
Segundo a Polícia Federal, há suspeitas de que relações com integrantes do governo tenham sido utilizadas para favorecer interesses comerciais privados no Ministério da Saúde e no gabinete da Presidência da República.
O inquérito também envolve a empresária Roberta Luchsinger e Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Antunes é investigado pela Operação Sem Desconto, que apura cobranças irregulares realizadas sobre benefícios de aposentados e pensionistas.
Os investigadores identificaram contatos entre os envolvidos e possíveis tratativas para beneficiar a World Cannabis, empresa ligada a Antunes e voltada ao mercado de medicamentos à base de cannabis. A Polícia Federal pretende verificar se Lulinha participou das negociações e se houve pagamento de vantagens indevidas.
A PF também pediu autorização para utilizar provas obtidas na Operação Sem Desconto. Entre os elementos que poderão ser analisados estão mensagens, documentos, registros de pagamentos e contatos mantidos com servidores públicos.
O pedido de abertura do inquérito foi apresentado pela Polícia Federal na sexta-feira (24). Inicialmente, o caso foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, que estava responsável pelo plantão do STF durante o recesso do Judiciário.
Após uma manifestação da Procuradoria-Geral da República, o procedimento foi redistribuído por sorteio. André Mendonça assumiu a relatoria e autorizou o início das investigações.
A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade. Os advogados afirmam que ele não prestou serviços, não investiu recursos e não participou de negociações comerciais envolvendo a empresa investigada.
A defesa também questionou a competência do STF para conduzir o caso e classificou a investigação como uma possível “pescaria probatória”, expressão utilizada para criticar apurações abertas sem a delimitação prévia dos fatos que seriam investigados.
A abertura do inquérito não significa que Lulinha tenha sido condenado ou considerado culpado. A Polícia Federal deverá aprofundar a análise dos documentos, pagamentos e contatos dos envolvidos antes de decidir se existem elementos para eventuais indiciamentos.