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Impedimento semiautomático estreia neste sábado no Brasileirão; entenda a tecnologia

O Campeonato Brasileiro terá uma mudança importante na arbitragem a partir deste sábado (25). O sistema de impedimento semiautomático será utilizado oficialmente pela primeira vez no futebol nacional durante a abertura da 20ª rodada da Série A, que também marca o início do segundo turno da competição.

A estreia ocorrerá às 18h30, pelo horário de Brasília, em duas partidas disputadas simultaneamente: Athletico-PR x Internacional, na Arena da Baixada, e Santos x Chapecoense, na Vila Belmiro. Os outros oito confrontos da rodada também contarão com o novo recurso.

A tecnologia, conhecida pela sigla SAOT, será integrada ao árbitro de vídeo. O objetivo é diminuir o tempo das revisões, aumentar a precisão das linhas e reduzir a necessidade de ajustes manuais em lances definidos por poucos centímetros.

Como funciona o novo sistema

Entre 28 e 32 câmeras dedicadas foram instaladas em cada estádio. Elas acompanham os jogadores durante toda a partida e registram milhares de pontos da superfície corporal de cada atleta.

A partir dessas imagens, o sistema cria uma reprodução tridimensional da movimentação em campo. A plataforma identifica o momento do passe, seleciona os jogadores envolvidos e compara a posição do atacante com a do penúltimo defensor.

O processamento é feito pela GeniusIQ, plataforma de inteligência artificial e dados da Genius Sports. Segundo a empresa, as câmeras conseguem captar até 10 mil pontos da superfície corporal de cada jogador por segundo.

Quando uma possível irregularidade é detectada, a informação é enviada à equipe do VAR. O árbitro de vídeo confere os dados, avalia o lance e comunica a conclusão ao árbitro principal.

A principal diferença para o modelo anterior é que os operadores não precisarão desenhar manualmente as linhas nem escolher, quadro por quadro, o momento do passe e as partes do corpo que serão usadas na análise.

Decisão continua nas mãos da arbitragem

Apesar do nome, o sistema não toma sozinho todas as decisões. A tecnologia automatiza a identificação das posições, mas a validação permanece sob responsabilidade da equipe de arbitragem.

A interpretação humana continua necessária, principalmente quando existe dúvida sobre a participação do jogador na jogada, interferência em um adversário ou bloqueio da visão do goleiro.

Estar em posição de impedimento, por si só, não representa uma infração. Pela regra, o jogador precisa participar ativamente do lance, tocar na bola, interferir na ação de um adversário ou obter vantagem daquela posição para ser punido.

Por isso, o recurso é chamado de semiautomático. Ele oferece informações objetivas sobre a localização dos atletas, mas não substitui completamente o árbitro, os assistentes ou o VAR.

Torcedor poderá ver imagem em três dimensões

Depois da confirmação do lance, o sistema pode produzir uma animação em três dimensões para mostrar a posição dos jogadores. A imagem poderá ser utilizada durante a transmissão e nos telões dos estádios.

O recurso apresenta os atletas como avatares com os uniformes dos clubes e destaca a parte do corpo que determinou a marcação. A proposta é facilitar a compreensão do público, especialmente nos impedimentos mais ajustados.

Os primeiros testes realizados pela CBF ocorreram no clássico entre Fluminense e Botafogo, disputado em fevereiro no Maracanã. Na ocasião, o sistema produziu imagens tridimensionais de dois lances difíceis e confirmou as decisões tomadas pela equipe de arbitragem.

Imagens serão enviadas para a Central do VAR

Cada estádio recebeu cinco servidores locais para processar e transmitir os dados. As imagens captadas durante as partidas serão enviadas em tempo real para a Central de Operações do VAR da CBF, no Rio de Janeiro.

A estrutura possui dez salas de controle integradas com o VAR e o impedimento semiautomático. O novo sistema também será conectado à tecnologia da Hawk-Eye, empresa responsável pela operação do árbitro de vídeo nas competições da CBF.

A integração permite que os profissionais responsáveis pela revisão recebam as imagens tradicionais da transmissão, os dados de posicionamento dos jogadores e a reconstrução tridimensional do lance.

Implantação levou oito meses

O processo de implantação durou aproximadamente oito meses e envolveu inspeções técnicas, instalação de câmeras, adequações elétricas, testes de conectividade, calibração dos equipamentos e treinamentos para árbitros e operadores.

Os 19 estádios utilizados regularmente pelos clubes da Série A receberam a tecnologia. A Arena Barueri também foi incluída, elevando para 20 o número de locais preparados para operar o sistema.

Além dos ensaios realizados em partidas oficiais, a CBF promoveu simulações para testar a comunicação entre os estádios, a Central do VAR e os profissionais responsáveis pelas decisões.

A entidade decidiu liberar o recurso somente depois que todos os palcos previstos para receber partidas da Série A estivessem preparados, evitando que alguns jogos tivessem uma tecnologia diferente dos demais.

Tecnologia não elimina completamente as paralisações

A expectativa é que o impedimento semiautomático reduza principalmente o tempo gasto nos lances em que a discussão é apenas sobre a posição dos jogadores.

A revisão, porém, ainda poderá ser mais demorada quando houver necessidade de definir quem tocou por último na bola, se houve desvio de um defensor ou se um atleta em posição irregular interferiu na jogada.

Também podem existir situações nas quais as imagens precisam ser verificadas manualmente por problemas de visibilidade, jogadores encobertos ou dúvidas sobre o momento exato do passe.

Portanto, a estreia do sistema não significa o fim das paralisações do VAR. A principal mudança estará na automatização das etapas que hoje exigem a construção manual das linhas.

Brasileirão abre nova fase da arbitragem

A CBF contratou a Genius Sports para fornecer o impedimento semiautomático ao Campeonato Brasileiro e à Copa do Brasil nas temporadas de 2026 e 2027.

Com a estreia na Série A, o futebol brasileiro passa a utilizar uma tecnologia já adotada em competições internacionais e em campeonatos nacionais de outros países.

A primeira avaliação prática ocorrerá nos jogos deste sábado. Além da precisão das decisões, a CBF acompanhará o tempo necessário para cada revisão, a comunicação entre os árbitros e a apresentação das imagens ao público.

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