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Brasil tem 2 milhões de trabalhadores por aplicativos, aponta IBGE

Cerca de 2 milhões de pessoas trabalharam por meio de aplicativos no Brasil em 2025, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esses profissionais enfrentam jornadas maiores, recebem menos por hora e possuem menor cobertura previdenciária do que os demais trabalhadores do setor privado.

O levantamento faz parte de uma edição experimental da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. Foram consideradas pessoas com 14 anos ou mais que utilizaram plataformas digitais para prestar serviços de transporte, entrega ou atividades profissionais.

O contingente chegou a 1,959 milhão de trabalhadores e representou 1,9% de toda a população ocupada do país. Aproximadamente 1,8 milhão tinham o trabalho por aplicativos como atividade principal.

Entre aqueles que utilizavam as plataformas como ocupação principal, o número cresceu 9,1% em relação a 2024 e 36,8% na comparação com 2022. O contingente passou de 1,3 milhão, em 2022, para 1,7 milhão, em 2024, até alcançar 1,8 milhão em 2025.

Os aplicativos de transporte de passageiros concentravam 1,2 milhão de pessoas, o equivalente a 58,9% dos trabalhadores pesquisados. Cerca de 1,1 milhão atuavam em plataformas como Uber e 99, enquanto 232 mil utilizavam exclusivamente aplicativos de táxi.

Outras 376 mil pessoas trabalhavam com entregas de alimentos e produtos por plataformas como iFood, Rappi e Zé Delivery. O número de entregadores cresceu 18,6% entre 2024 e 2025.

O IBGE identificou ainda 313 mil trabalhadores em aplicativos de serviços gerais ou profissionais. A categoria reúne atividades como design, tradução e até telemedicina, quando profissionais utilizam plataformas para captar clientes ou realizar atendimentos.

A jornada semanal média dos trabalhadores por aplicativos foi de 44,7 horas, diante de 39,3 horas entre os demais profissionais do setor privado. A diferença chegou a 5,4 horas por semana.

Apesar da jornada maior, os dois grupos apresentaram rendimentos mensais semelhantes. Os trabalhadores vinculados aos aplicativos receberam, em média, R$ 3.147 por mês, enquanto os demais alcançaram R$ 3.148.

A diferença aparece no valor recebido por hora. Os profissionais das plataformas ganharam, em média, R$ 16,20 por hora trabalhada, quantia 12% inferior aos R$ 18,40 registrados entre os não plataformizados.

A informalidade atingiu 72,1% dos trabalhadores por aplicativos. Entre os demais profissionais do setor privado, a proporção ficou em 42,7%.

Apenas 34% dos trabalhadores das plataformas possuíam cobertura previdenciária, enquanto o índice chegou a 63% entre os demais ocupados. A contribuição garante acesso a benefícios como aposentadoria, pensão por morte e auxílio por incapacidade.

A pesquisa também apontou que 86,8% dos profissionais das plataformas trabalhavam por conta própria. Apesar disso, grande parte afirmou depender das empresas para a definição dos valores, dos prazos e da forma de pagamento pelos serviços.

Entre os motoristas de transporte de passageiros, 80,2% disseram que o valor recebido por corrida era totalmente determinado pela plataforma. Entre os entregadores, essa dependência atingiu 78,3%.

Os homens representavam 84,4% das pessoas que tinham os aplicativos como trabalho principal. Quase metade, ou 47%, tinha entre 25 e 39 anos.

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