A expansão acelerada do mercado de inteligência artificial tornou-se um dos principais riscos para a economia mundial, segundo avaliação divulgada nesta terça-feira (28) pela agência de classificação de risco Fitch. O alerta envolve a valorização das empresas de tecnologia, o aumento das dívidas e os investimentos bilionários realizados no setor.
A agência avalia que uma eventual queda nas ações ligadas à inteligência artificial pode produzir efeitos sobre empresas, bancos, fundos de investimento e consumidores. Isso ocorre porque o desempenho do setor passou a ter participação crescente nos mercados financeiros e na própria atividade econômica dos Estados Unidos.
As avaliações das empresas norte-americanas estão próximas dos níveis observados durante a bolha da internet no fim da década de 1990. Naquele período, companhias de tecnologia acumularam forte valorização antes de uma queda generalizada no mercado.
Amazon, Alphabet, Nvidia, Meta, Oracle e SpaceX emitiram juntas US$ 182 bilhões em títulos de dívida, valor equivalente a aproximadamente R$ 932 bilhões. A captação foi impulsionada pela necessidade de financiar data centers, chips, redes de energia e outros projetos ligados à inteligência artificial.
Os investimentos previstos por Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft devem crescer mais de 75% em 2026 e alcançar US$ 700 bilhões, cerca de R$ 3,58 trilhões. O volume aumenta as dúvidas sobre quanto tempo será necessário para que os projetos apresentem retorno financeiro compatível com os recursos aplicados.
Apesar do alerta, a Fitch não afirma que uma queda seja inevitável. A preocupação está relacionada à possibilidade de os preços das ações e o ritmo dos investimentos terem avançado mais rapidamente do que as receitas efetivamente geradas pela nova tecnologia.
A agência aponta que incertezas sobre regulamentação, concorrência, geração de receitas e efeitos da automação no mercado de trabalho podem desencadear uma correção significativa e prolongada. Uma desvalorização das empresas reduziria a capacidade de novos investimentos e poderia atingir outros setores da economia.
O mercado já apresenta sinais de maior cautela. Ações de fabricantes asiáticas de chips recuaram nesta terça-feira diante das dúvidas sobre o financiamento da infraestrutura de inteligência artificial e do crescimento da concorrência chinesa.
Além do risco tecnológico, a Fitch destacou a guerra entre Estados Unidos e Irã, a instabilidade no Estreito de Ormuz e a possível intensificação do El Niño entre as principais ameaças econômicas de curto prazo.
A projeção da agência indica crescimento mundial de 2,4% em 2026. O avanço dos preços da energia, uma eventual redução das safras e os gastos elevados com inteligência artificial podem aumentar a pressão sobre empresas e países que já possuem altos níveis de endividamento.