O etanol de milho vem ganhando espaço na produção de combustíveis no Brasil e já se consolida como um dos principais vetores de crescimento do setor. Nesta sexta-feira (17), dados e projeções da indústria indicam que a expansão do biocombustível deve sustentar o aumento da oferta nacional, com impacto direto na matriz energética e no abastecimento.
Nos últimos anos, o etanol de milho deixou de ter papel complementar e passou a ocupar espaço relevante na produção total. A expansão é puxada por investimentos em novas unidades industriais e pela ampliação de plantas já em operação, sobretudo na região Centro-Oeste, onde há maior disponibilidade de milho e estrutura logística integrada ao agronegócio.
Estados como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul concentram esse crescimento, beneficiados pela utilização do milho de segunda safra, a chamada “safrinha”. O modelo permite maior aproveitamento da produção agrícola ao longo do ano e contribui para a regularidade na oferta do biocombustível, reduzindo a dependência exclusiva da cana-de-açúcar.
O cenário também é favorecido pelo aumento da demanda por combustíveis do ciclo Otto, que inclui veículos leves. Nesse contexto, o etanol — tanto hidratado quanto anidro, misturado à gasolina — ganha competitividade diante das variações nos preços dos combustíveis fósseis.
Além do mercado interno, o etanol de milho passa a ser observado como alternativa em processos de descarbonização, alinhando o Brasil às metas globais de redução de emissões. A diversificação das matérias-primas reforça o papel estratégico dos biocombustíveis e amplia as perspectivas de crescimento da indústria nos próximos anos.
Apesar do avanço, especialistas apontam desafios para a continuidade da expansão, como gargalos logísticos e a necessidade de maior previsibilidade regulatória. Ainda assim, o etanol de milho se consolida como um dos principais vetores de crescimento do setor, contribuindo para o aumento da produção de combustíveis e para o fortalecimento da segurança energética do país.