A Conab divulgou nesta quinta-feira (21) a projeção de que o Brasil deverá registrar em 2026 a maior produção de café de sua história. O segundo levantamento da estatal estima uma colheita de 66,7 milhões de sacas de 60 quilos, crescimento de 18% em relação ao ciclo anterior.
O avanço ocorre em meio à recuperação produtiva das lavouras de café arábica, favorecidas pelo ciclo de bienalidade positiva, característica natural da cultura que alterna anos de maior e menor rendimento, além das condições climáticas consideradas mais estáveis ao longo do desenvolvimento das plantações.
Caso o volume seja confirmado ao fim da colheita, o resultado superará o recorde histórico de 63,1 milhões de sacas registrado em 2020, consolidando o Brasil na liderança global da produção e exportação do grão.
De acordo com a Conab, a área total dedicada à cafeicultura brasileira deve atingir 2,34 milhões de hectares em 2026. Desse total, aproximadamente 1,94 milhão de hectares estarão em plena produção. A produtividade média nacional foi estimada em 34,4 sacas por hectare, índice superior ao observado no último ciclo.
O café arábica seguirá concentrando a maior parte da produção nacional. A expectativa é de uma colheita de 45,8 milhões de sacas, alta de 28% frente ao ano anterior. Já o segmento de café canéfora, que engloba as variedades conilon e robusta, deverá alcançar 20,9 milhões de sacas, mantendo estabilidade em relação à safra passada.
Principal produtor do país, Minas Gerais deve responder por cerca de metade da produção nacional. A estimativa aponta para 33,4 milhões de sacas no estado, crescimento impulsionado pela recuperação climática após períodos de estiagem e temperaturas elevadas registrados em ciclos anteriores.
A Conab destaca ainda que as chuvas observadas entre o fim de 2025 e o início deste ano contribuíram diretamente para o bom desenvolvimento das floradas e da formação dos grãos, principalmente nas principais regiões produtoras do Sudeste.
Além do impacto no abastecimento interno, a projeção de safra recorde também é acompanhada pelo mercado internacional. O aumento da oferta brasileira pode influenciar o comportamento dos preços globais do café nos próximos meses, sobretudo em um cenário de demanda aquecida e estoques reduzidos em importantes países consumidores.
Mesmo com a perspectiva positiva para a produção, o setor mantém atenção sobre os custos logísticos, o ritmo das exportações e possíveis oscilações climáticas durante o período de colheita, fatores considerados decisivos para o desempenho final da safra.