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Chuvas atingem 206 cidades no RS, e previsão de mais temporais acende alerta para os próximos dias

As chuvas e inundações que atingem o Rio Grande do Sul já provocaram danos em 206 municípios. O balanço mais recente divulgado na manhã deste sábado (25) aponta 682 pessoas desalojadas, que precisaram deixar as próprias casas e buscar abrigo com parentes ou amigos.

Arroio dos Ratos aparece entre os municípios mais atingidos, com 100 desalojados. O levantamento também reúne registros de alagamentos, transbordamento de rios, destelhamentos, quedas de árvores e postes, falta de energia e bloqueios de estradas.

O número de desabrigados, acolhidos em estruturas públicas, não foi atualizado no mesmo boletim deste sábado. A última informação disponível, referente às 6h de sexta-feira (24), apontava 1.315 desabrigados e 565 desalojados.

Como os números foram divulgados em horários diferentes, eles não devem ser somados para formar um total fechado de pessoas fora de casa neste sábado. O levantamento anterior indicava 1.880 moradores afastados de suas residências, mas parte dessa situação pode ter mudado com o recuo da água em algumas cidades.

Apesar da diminuição das chuvas nas últimas horas, a situação continua preocupante. A Defesa Civil mantém alertas de inundação em diferentes regiões, enquanto a previsão indica o retorno das instabilidades entre domingo (26) e segunda-feira (27).

Rios mantêm cidades em alerta

A Defesa Civil emitiu às 11h56 deste sábado um alerta de risco alto de inundação do Rio Uruguai para Itaqui e Uruguaiana. O aviso permanece válido até as 11h de domingo (26).

São Borja havia sido colocada anteriormente em condição de risco muito alto devido ao avanço da cheia do Rio Uruguai. A água segue descendo em direção aos municípios localizados no Médio e no Baixo Uruguai.

São Leopoldo também está sob alerta de risco alto de inundação do Rio dos Sinos. O aviso foi emitido às 8h18 deste sábado e tem validade até as 8h de domingo.

Na sexta-feira, a Defesa Civil também havia alertado para a elevação do Rio Jacuí, com risco alto em Eldorado do Sul, e para a possibilidade de inundação nas ilhas de Porto Alegre devido ao aumento do nível do Guaíba.

O monitoramento continua porque a elevação dos rios pode atingir cidades mesmo depois da interrupção da chuva. A água acumulada nas cabeceiras percorre as bacias e avança para municípios localizados mais abaixo.

Vale do Taquari começa a avaliar danos

Com a redução das chuvas e o início da estabilização dos níveis dos rios em algumas regiões, equipes estaduais e municipais começaram a vistoriar as áreas atingidas no Vale do Taquari.

As ações se concentram em cidades como Lajeado, Estrela, Encantado e Santa Tereza. O objetivo é identificar danos, organizar a limpeza e definir as medidas necessárias para restabelecer serviços e estruturas afetadas.

Em Estrela, cerca de 60 famílias foram retiradas preventivamente de uma comunidade vulnerável. Segundo o governo estadual, eventos anteriores de proporções semelhantes chegaram a exigir a remoção de aproximadamente 600 famílias no município.

Em Encantado, cerca de 150 pessoas foram afetadas pela elevação do Rio Taquari. Parte das famílias que vivia em áreas de risco já havia sido transferida para imóveis de aluguel social, moradias temporárias ou habitações definitivas.

Na sexta-feira, o balanço estadual apontava Lajeado como o município com maior número de desabrigados, com 540 pessoas. Porto Xavier aparecia com 200, Encantado com 152 e Estrela com 118. Esses números ainda não foram atualizados individualmente neste sábado.

Mais de 40 cidades tiveram rios transbordados

O relatório divulgado na sexta-feira apontava que pelo menos 40 municípios haviam registrado transbordamento de rios, arroios ou córregos, além de elevações repentinas do nível da água.

Outras 17 cidades realizaram remoções preventivas ou retiraram moradores por causa do risco de inundações e deslizamentos. Em Lajeado, cerca de 220 pessoas foram retiradas preventivamente. Em Arroio do Meio, foram 32.

Até a última atualização disponível, não havia morte oficialmente confirmada como consequência direta dos eventos meteorológicos. Um homem foi encontrado morto após cair no Rio Taquari, mas o caso ainda não havia sido incluído no balanço de vítimas das chuvas por falta de informações conclusivas.

Chuvas afetam estradas e transporte

Os danos provocados pelas chuvas também causaram interrupções em rodovias e alterações no transporte intermunicipal.

A linha entre Porto Alegre e Encruzilhada do Sul, que passa por Camaquã, Cristal e Amaral Ferrador, teve viagens temporariamente suspensas. Linhas que ligam Porto Alegre a Erechim e Carazinho também sofreram cancelamentos, redução de itinerários e transbordo de passageiros.

A retomada completa dos serviços dependerá da liberação das estradas e da avaliação das condições de segurança.

Na sexta-feira, o governo federal havia reconhecido a situação de emergência em 17 municípios gaúchos, entre eles Eldorado do Sul, Porto Xavier, Getúlio Vargas, Sananduva, Humaitá e Trindade do Sul. O reconhecimento permite a solicitação de recursos federais para ações de assistência e recuperação.

Mais chuva é esperada entre domingo e segunda-feira

O sábado deve permanecer com tempo mais estável na maior parte do Rio Grande do Sul. A situação começa a mudar no domingo, quando uma área de baixa pressão entre o norte da Argentina e o Paraguai, associada a um cavado sobre a Região Sul, volta a favorecer a formação de instabilidades.

As pancadas de chuva devem atingir o Rio Grande do Sul no domingo e continuar na segunda-feira, avançando também sobre a metade sul de Santa Catarina.

O governo gaúcho informou que os prognósticos apontam volumes expressivos de chuva em curto espaço de tempo nos próximos dias. Uma coletiva foi marcada para segunda-feira, às 14h30, no Palácio Piratini, para apresentar uma atualização detalhada da previsão e das medidas de prevenção.

O Instituto Nacional de Meteorologia havia projetado acumulados de até 200 milímetros em áreas do Rio Grande do Sul entre os dias 20 e 27 de julho. Esse número, porém, representa todo o período semanal, incluindo as chuvas que já ocorreram, e não deve ser apresentado como volume previsto exclusivamente para os próximos dias.

A previsão mais recente do Inmet confirma o retorno das instabilidades no domingo e na segunda-feira, mas não informa, no texto do boletim, um novo acumulado específico para cada região gaúcha.

Solo encharcado aumenta os riscos

O retorno da chuva preocupa porque o solo permanece saturado em diversas áreas. Com pouca capacidade de absorção, novos volumes podem provocar alagamentos rapidamente, além de enxurradas e deslizamentos.

Mesmo cidades onde os rios começaram a baixar permanecem vulneráveis. Uma nova sequência de chuva pode interromper o recuo da água e provocar outra elevação.

A Defesa Civil orienta a população a acompanhar os alertas oficiais, evitar áreas alagadas e não atravessar ruas ou estradas cobertas pela água. Moradores de regiões sujeitas a inundações devem seguir os planos de contingência e as orientações das autoridades municipais.

Em caso de emergência, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo telefone 193 e a Brigada Militar pelo 190.

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