O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou nesta sexta-feira (7) que aprovou R$ 7,1 bilhões em financiamentos nos primeiros oito dias de operação do Plano Safra 2026/2027. O resultado mostra uma procura acelerada pelas linhas de crédito destinadas ao setor agropecuário.
A maior parte das operações foi realizada por bancos cooperativos e cooperativas de crédito. Essas instituições responderam por R$ 4,9 bilhões, o equivalente a 72% do valor aprovado no período.
Ao todo, foram formalizados aproximadamente 29 mil contratos. As instituições cooperativas participaram de 27,1 mil operações, que representam cerca de 94% das contratações registradas desde o início da liberação dos recursos.
A concentração dos contratos nas cooperativas está relacionada à presença dessas instituições em cidades do interior e regiões agrícolas. Elas funcionam como agentes financeiros responsáveis por receber os pedidos, analisar os projetos e repassar os recursos do BNDES aos produtores.
Plano disponibiliza R$ 72 bilhões
O BNDES reservou R$ 72 bilhões para financiar o Plano Safra 2026/2027 entre julho deste ano e junho de 2027. O montante supera os R$ 70 bilhões oferecidos no ciclo anterior.
Os recursos poderão ser utilizados por produtores rurais, agricultores familiares e cooperativas. As linhas contemplam o custeio da produção, a compra de máquinas e equipamentos, a construção de armazéns, a implantação de sistemas de irrigação e projetos de inovação e sustentabilidade.
Do total anunciado, R$ 40,5 bilhões serão oferecidos por meio de programas agropecuários do governo federal. Entre as linhas estão o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), o Moderfrota e o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA).
Outros R$ 31,5 bilhões ficarão disponíveis por meio do BNDES Crédito Rural. Essa modalidade utiliza recursos próprios do banco e pode financiar investimentos, aquisição de equipamentos, despesas de custeio e atividades desenvolvidas por cooperativas.
Agricultura familiar terá R$ 18,9 bilhões
A agricultura familiar contará com R$ 18,9 bilhões no atual ciclo do Plano Safra. O valor representa crescimento de 41% em comparação com os R$ 13,4 bilhões disponibilizados na temporada anterior.
As linhas serão operadas pelo Pronaf e poderão atender pequenos produtores em diferentes regiões do país. Dentro desse orçamento, R$ 646,9 milhões serão reservados exclusivamente para agricultores familiares das regiões Norte e Nordeste.
Os financiamentos podem ser empregados na ampliação da produção, aquisição de máquinas de menor porte, modernização das propriedades e adoção de práticas voltadas à sustentabilidade.
As taxas variam conforme o programa, o perfil do produtor e a finalidade do crédito. Na agricultura familiar, os juros ficam entre 0,5% e 7,5% ao ano. Para a agricultura empresarial, as taxas previstas nos programas oficiais variam de 8% a 12,5% ao ano.
Crédito movimenta produção rural
O crédito rural é utilizado para financiar diferentes etapas da atividade agropecuária. Os recursos de custeio atendem despesas recorrentes, como sementes, fertilizantes, alimentação animal e manutenção das lavouras.
As linhas de investimento permitem financiar bens e projetos com retorno de longo prazo, incluindo tratores, colheitadeiras, sistemas de armazenagem, irrigação e modernização de instalações.
A aprovação de R$ 7,1 bilhões nos primeiros oito dias não significa que todo o dinheiro já tenha sido entregue aos produtores. Depois da autorização, as operações seguem os procedimentos de contratação e liberação definidos pelos agentes financeiros.
Os financiamentos continuarão disponíveis até 30 de junho de 2027 ou enquanto houver recursos em cada programa. O ritmo inicial das contratações indica que parte das linhas pode registrar elevada procura durante o ciclo agrícola.