Fui assistir a “O Agente Secreto” com altas expectativas sobre Wagner Moura. Ele está ótimo como Marcelo, protagonista da trama; mas não é menos impressionante quando, mais ao final do filme, surpreende ao aparecer como outro personagem, com trejeitos bem diferentes. Eu saí do cinema me perguntando: como isso é avaliado em premiações? Será que o brasileiro pode sair na frente por fazer mais de um papel? Ou pode ser indicado também pelo segundo personagem, por exemplo? E no caso de Michael B.
Jordan, por exemplo, cotado ao Oscar por interpretar os gêmeos Fumaça e Fuligem em “Pecadores” — ambos personagens principais? Então, procurei nas regras do Oscar, entrei em contato com a Academia e dei uma olhada no histórico de indicados. Tudo isso para entender: fazer mais de um papel em um filme é uma vantagem na premiação? Como existe a separação entre protagonista e coadjuvante, as próprias categorias são confusas nesse sentido. Dá pra interpretar que o prêmio seria dado por papel, não por ator; mas não é bem o caso.
Segundo as regras do Oscar, quando um ator é indicado, ele é considerado por toda a sua performance em um filme — independente de quantos papéis ele interpreta. Isso significa também que não existe indicação separada para cada papel. No formulário de inscrição, aliás, só são solicitados o nome do ator e por quais interpretações ele está creditado no filme.
É no momento da votação (não na inscrição) que a Academia decide se o papel entra como protagonista ou coadjuvante. Sendo assim, um mesmo ator não pode concorrer a duas categorias diferentes por um mesmo filme, mesmo que faça mais de um personagem. Essa regra foi implantada no Oscar após 1945, quando o ator Barry Fitzgerald foi indicado como protagonista e coadjuvante pelo mesmo papel em “O Bom Pastor ”.