Introdução
O violinista franco-brasileiro Nicolas Krassik prepara o lançamento do álbum audiovisual Em cenas para 14 de janeiro de 2026. A obra marca as comemorações pelos seus 25 anos de residência no Brasil, período em que se dedicou a absorver a riqueza dos gêneros musicais nacionais. Gravado ao vivo em um show íntimo no Instituto Brincante, em São Paulo, no dia 31 de janeiro de 2025, o projeto sintetiza sua trajetória ao fundir a energia dos ritmos nordestinos com a linguagem do jazz.
Desenvolvimento
Nascido em 1969 na periferia de Paris e com formação erudita e jazzística, Krassik mudou-se para o Brasil em 2001, atraído principalmente pela vitalidade do choro, do samba e dos ritmos do Nordeste. O repertório de Em cenas é majoritariamente composto por temas autorais do violinista, muitos extraídos de seu disco Nordeste de Paris, de 2014. Destaque para composições como Nordeste de Paris, Forrocktau, Cordestinos, o baião Azul elétrico e o xote Evelise.
Além do material próprio, Krassik presta homenagens a dois pilares da música brasileira que foram fundamentais em sua jornada. Do baiano Gilberto Gil, ele interpreta os clássicos baiões Expresso 2222 (1972) e De onde vem o baião (1977). A escolha reflete a gratidão do músico, que integrou a banda de Gil por quatro anos, participando dos álbuns e turnês Fé na festa (2010) e Concertos de cordas & Máquinas de ritmo (2012).
Do mestre pernambucano Dominguinhos (1941–2013), outra influência decisiva em sua paixão pelo forró, Krassik inclui no setlist o baião Te cuida Jacaré, de 1980. A gravação ao vivo contou com uma formação musical de peso, reunindo Guegué na zabumba e SPD, Kabé Pinheiro na percussão e SPD, Lau Trajano no baixo e Pablo Moura na sanfona.
Conclusão
O álbum Em cenas se configura como um registro significativo da consolidação artística de Nicolas Krassik no cenário musical brasileiro. Mais do que um simples registro de show, o projeto representa a maturação de um quarto de século de imersão e diálogo criativo com a cultura do país. A fusão proposta, batizada pelo artista como ‘forró jazzístico’, evidencia uma carreira construída na ponte entre sua herança europeia e sua adoção afetiva e sonora do Brasil.