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Vazamento revela uso político de alertas da Interpol pela Rússia contra opositores

Introdução

Milhares de documentos internos da Interpol, fornecidos por um denunciante, expuseram pela primeira vez a extensão do aparente uso abusivo da organização policial internacional pela Rússia. Os arquivos, analisados pelo Serviço Mundial da BBC e pelo portal francês Disclose, indicam que Moscou utilizou sistematicamente as listas de procurados para solicitar a prisão de críticos no exterior. A prática teria como alvo adversários políticos, empresários e jornalistas, sob acusações de crimes.

Desenvolvimento

A análise dos dados revela que, na última década, a unidade independente de reclamações da Interpol recebeu mais queixas relacionadas à Rússia do que sobre qualquer outro país-membro. O volume de reclamações contra os pedidos russos foi três vezes maior que o do segundo colocado, a Turquia. Consequentemente, as queixas levaram ao cancelamento de mais casos originados na Rússia do que de qualquer outra nação, evidenciando um padrão de solicitações consideradas inadequadas.

Após a invasão da Ucrânia em 2022, a Interpol implementou verificações adicionais sobre a atividade de Moscou. O objetivo declarado era “evitar o potencial abuso dos canais da Interpol para a busca de indivíduos envolvidos no conflito”. Contudo, os documentos vazados sugerem que esses mecanismos não impediram completamente novos abusos. O denunciante afirmou ainda que algumas das medidas de controle mais rigorosas foram silenciosamente abandonadas pela organização em 2025.

Em resposta às investigações, a Interpol emitiu uma nota destacando que milhares de criminosos graves são presos anualmente graças às suas operações. A organização policial afirmou possuir uma série de sistemas para prevenir abusos, os quais teriam sido fortalecidos nos últimos anos. A Interpol também declarou estar ciente dos impactos que os pedidos de prisão podem ter na vida dos indivíduos.

O caso do empresário russo Igor Pestrikov, cujo nome consta nos arquivos vazados, ilustra essas consequências. “Quando você recebe um alerta vermelho, sua vida muda completamente”, relatou Pestrikov. A Interpol, que não é uma força policial global, funciona como uma rede de cooperação entre as polícias de seus 196 países membros, sendo o alerta vermelho um pedido de localização e prisão provisória circulado para todas essas nações.

Conclusão

Os documentos vazados lançam uma luz crítica sobre os desafios de governança e os mecanismos de controle dentro da Interpol. Eles expõem a dificuldade em equilibrar a cooperação policial internacional eficaz com a prevenção de uso político de seus instrumentos. A persistência de queixas e cancelamentos relacionados à Rússia, mesmo após a criação de verificações adicionais, aponta para a complexidade do problema.

A situação revela uma tensão fundamental na arquitetura da segurança global, onde ferramentas projetadas para o combate ao crime transnacional podem ser exploradas para fins de perseguição política. O episódio coloca em questão a eficácia das salvaguardas atuais e a necessidade de maior transparência e supervisão sobre o uso dos alertas da organização, assegurando que cumpram estritamente seu propósito legal original.

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