A União Europeia aprovou nesta sexta-feira o acordo comercial com o Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, encerrando mais de 25 anos de negociações. O tratado, considerado um dos maiores acordos de livre comércio da história, visa eliminar tarifas sobre a maioria dos produtos negociados entre os dois blocos e ampliar o comércio e investimentos.
A decisão dos países membros da UE abre caminho para a assinatura formal do tratado, prevista para as próximas semanas, e para a votação final no Parlamento Europeu, que deve ocorrer entre abril e maio de 2026. O pacto permitirá que os países do Mercosul acessem um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores europeus, enquanto a UE terá maior presença em setores estratégicos do bloco sul-americano.
Impactos econômicos e setores beneficiados
O acordo deve eliminar tarifas estimadas em €4 bilhões por ano, fortalecendo o comércio em setores como agricultura, indústria automotiva, química e serviços. Para o Mercosul, especialmente Brasil e Argentina, o tratado representa uma oportunidade de aumentar exportações de produtos como carne, açúcar, soja e aves, além de atrair investimentos europeus em tecnologia e infraestrutura.
Segundo analistas, a integração comercial pode gerar crescimento econômico sustentável, aumentar a competitividade e criar empregos em ambos os blocos. O volume de comércio entre UE e Mercosul ultrapassou €111 bilhões em 2024, e o acordo tende a ampliar significativamente esse fluxo.
Resistência e salvaguardas
Apesar do avanço, o tratado enfrenta resistência interna na Europa. França, principal potência agrícola, votou contra, argumentando que os termos ainda não protegem suficientemente os agricultores locais. Protestos de sindicatos e movimentos sociais ocorreram em várias capitais europeias, com bloqueios de estradas e manifestações denunciando a entrada de produtos agrícolas de baixo custo que poderiam prejudicar o setor local.
Para contornar críticas, a UE incluiu mecanismos de salvaguarda, permitindo suspender temporariamente benefícios tarifários caso importações afetem setores sensíveis. Esses dispositivos foram decisivos para garantir apoio de países como Itália, que condicionou seu voto à inclusão dessas proteções.
Caminho para a ratificação e repercussão global
Após a aprovação pelos governos da UE, o acordo ainda precisará ser ratificado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor. Especialistas afirmam que, se plenamente implementado, o tratado poderá redefinir a dinâmica comercial global, fortalecendo a relação transatlântica e criando um bloco econômico capaz de rivalizar com Estados Unidos e China.
O pacto também representa um marco diplomático e político, demonstrando a capacidade do Mercosul de negociar em pé de igualdade com grandes blocos globais e abrindo caminho para futuras parcerias estratégicas com outros países e regiões.