O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo (1) que o Canadá poderia se tornar um novo estado americano, declaração que provocou reação imediata do governo canadense e reacendeu tensões diplomáticas entre os dois países.
Ao comentar relações comerciais e estratégicas com o vizinho do norte, Trump sugeriu que a incorporação do Canadá aos Estados Unidos traria benefícios econômicos e maior integração entre as nações. A fala, vista como provocativa por autoridades e analistas, ocorre em um momento de impasses comerciais e revisões de acordos bilaterais.
A resposta de Ottawa foi rápida. O primeiro-ministro Mark Carney descartou qualquer possibilidade de anexação e afirmou que a soberania do Canadá “não está em discussão”. Autoridades canadenses reforçaram que a relação com Washington deve se basear no respeito institucional e na cooperação entre países soberanos.
Especialistas em política internacional avaliam que a sugestão tem caráter retórico e não possui viabilidade prática. Qualquer mudança desse tipo exigiria profundas alterações constitucionais e amplo apoio popular nos dois países, cenário considerado inexistente. Ainda assim, analistas alertam que declarações do tipo podem gerar ruídos diplomáticos e incertezas no mercado, dada a forte integração econômica entre Estados Unidos e Canadá.
Apesar da repercussão, representantes dos dois governos afirmaram que os canais diplomáticos seguem abertos. O Canadá reiterou que continuará negociando com Washington temas como comércio, segurança e cooperação regional, enquanto tenta conter os efeitos políticos de uma declaração que voltou a colocar em evidência os limites da relação entre dois aliados históricos.