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Trump teria “descartado” Bolsonaro por não tolerar “perdedores”, diz ex-embaixador dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria rompido politicamente com o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro por considerá-lo um “perdedor” após sua derrota eleitoral e a perda de protagonismo político no Brasil. A avaliação foi feita pelo ex-embaixador norte-americano John Feeley, em entrevista concedida nesta segunda-feira (29) à BBC News Brasil.

Segundo Feeley, que foi embaixador dos Estados Unidos no Panamá e atualmente dirige o Centro para a Integridade da Mídia das Américas, a mudança de postura de Trump não estaria relacionada a fatores diplomáticos ou institucionais, mas a uma característica pessoal do presidente americano, que tende a se afastar de aliados que considera politicamente derrotados.

“Assim que Bolsonaro perdeu, Donald Trump o viu como um perdedor. E se há algo que Trump não tolera são perdedores”, afirmou o ex-embaixador.

Na avaliação do diplomata, Trump conduz a política externa de forma altamente personalista, o que torna as relações internacionais mais instáveis. Feeley afirmou ainda que o Brasil não ocupa papel central nas prioridades cotidianas do presidente americano e que o interesse por Bolsonaro diminuiu à medida que o ex-mandatário brasileiro deixou de exercer influência política relevante.

As declarações ocorrem em um momento de reacomodação das relações entre Brasil e Estados Unidos, após um período de tensões diplomáticas ao longo de 2025. Durante o ano, Washington anunciou tarifas sobre produtos brasileiros e sanções contra autoridades do Judiciário, medidas que posteriormente foram revistas pela Casa Branca.

Para analistas em relações internacionais, o episódio ilustra como a diplomacia americana sob Trump é fortemente influenciada por avaliações pessoais, com alianças sujeitas a mudanças rápidas conforme o peso político dos interlocutores. Nesse contexto, Bolsonaro, que já foi tratado como aliado estratégico pelo presidente americano, passou a ser visto como uma figura politicamente descartável.

O cenário reforça a leitura de que a relação bilateral entre Brasília e Washington segue marcada por volatilidade, com avanços e recuos condicionados não apenas a interesses econômicos e institucionais, mas também ao estilo de liderança adotado pelo governo dos Estados Unidos.

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