O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (22) a criação do chamado “Conselho da Paz”, iniciativa apresentada durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. Em discurso, o republicano voltou a fazer críticas diretas à Organização das Nações Unidas (ONU), que classificou como ineficaz na mediação de conflitos internacionais, e sugeriu que o novo órgão pode assumir um papel global semelhante ao da entidade multilateral .
Segundo Trump, o conselho nasce com foco inicial na Faixa de Gaza, com o objetivo de apoiar a consolidação do cessar-fogo e coordenar esforços de reconstrução. No entanto, o presidente afirmou que a atuação poderá ser ampliada para outros conflitos, sem descartar que o grupo venha a “rivalizar” com a ONU no futuro. “A ONU tinha um potencial enorme, mas não funciona como deveria”, declarou .
O projeto ainda carece de detalhes sobre mandato, estrutura e critérios de adesão. Informações preliminares indicam a participação de cerca de 20 a 35 países, sobretudo aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio e na Ásia. Parte da Europa, porém, sinalizou resistência: governos como os da França e da Eslovênia afirmaram que não pretendem integrar o conselho, citando preocupações com a legitimidade da iniciativa e o enfraquecimento do sistema multilateral liderado pela ONU .
A proposta também gerou reação de analistas internacionais, que veem no anúncio um desafio direto ao papel do Conselho de Segurança da ONU. Especialistas apontam que a ausência de regras claras e o protagonismo concentrado nos Estados Unidos podem limitar a aceitação global do novo organismo .
Apesar das críticas, Trump afirmou que o Conselho da Paz pode atuar de forma complementar às instituições existentes, dependendo da adesão internacional. O lançamento reforça a estratégia do presidente de questionar estruturas tradicionais da diplomacia global e reposicionar os Estados Unidos como eixo central das negociações de paz em cenários de conflito.