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Trump diz usar aspirina acima da dose recomendada para ‘afinar o sangue’; medida é ineficaz e traz riscos

Médicos explicam que “afinar o sangue” não é um conceito médico; a aspirina não muda a espessura do sangue. O remédio age nas plaquetas, reduzindo a formação de coágulos, e só é indicado para quem já teve infarto ou AVC. Aumentar a dose não traz mais proteção e eleva o risco de sangramentos, sobretudo no estômago, intestino e cérebro.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista ao “Wall Street Journal” que vem tomando uma dose diária de aspirina maior do que a recomendada por seus médicos porque, segundo ele, não quer que “sangue grosso” passe pelo coração. “Eles dizem que aspirina é boa para afinar o sangue. Eu quero um sangue bem fino passando pelo meu coração”, disse o republicano, de 79 anos.

A fala expõe uma noção bastante difundida entre leigos, mas que não corresponde ao que a medicina entende como prevenção cardiovascular. Cardiologistas ouvidos pelo g1 explicam que a expressão “afinar o sangue” é popular —e imprecisa— e que o uso indiscriminado da aspirina pode trazer mais riscos do que benefícios. “A aspirina não deixa o sangue mais fino nem mais ralo”, afirma o cardiologista Rodrigo Noronha, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

“Ela é um antiagregante plaquetário: reduz a capacidade de as plaquetas se juntarem para formar coágulos. Isso não muda a viscosidade do sangue. ” “Existe um sistema de coagulação complexo, que precisa estar em equilíbrio”, explica Henrique Trombini Pinesi, pesquisador da Unidade Clínica de Aterosclerose do Instituto do Coração (InCor) e cardiologista da Clínica Sartor.

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