As equipes de resgate retomaram neste sábado (29) as buscas pelas vítimas das enchentes que atingiram a região do Himalaia, entre o Nepal e o Tibete. O número de mortos chegou a 676, enquanto quase 3 mil pessoas continuam desaparecidas.
De acordo com as autoridades, 669 mortes foram registradas no território nepalês e outras sete no Tibete. Muitas das pessoas ainda não localizadas são peregrinos indianos que viajavam pela região quando a inundação começou.
O desastre teria sido provocado pelo colapso de uma geleira, que formou uma forte corrente de água e detritos. A enxurrada destruiu comunidades, arrastou veículos e atingiu construções localizadas perto dos rios.
As operações chegaram a ser interrompidas por causa das condições climáticas e da dificuldade de acesso. A destruição de estradas e pontes impede o deslocamento das equipes terrestres, enquanto a instabilidade do tempo limita a utilização de helicópteros.
Centrais de energia, sistemas de comunicação, túneis e prédios também foram danificados. Algumas comunidades permanecem isoladas e dependem do envio de alimentos, medicamentos e água potável.
O governo nepalês solicitou assistência técnica internacional para a recuperação das áreas atingidas. O pedido inclui especialistas em resgates dentro de túneis, restabelecimento das comunicações e identificação de vítimas.
Equipes da Índia e da China já foram enviadas ao Nepal. Os países também encaminharam equipamentos e suprimentos para auxiliar os sobreviventes e os profissionais envolvidos nas buscas.
O estado dos corpos encontrados representa outro desafio. Diante da dificuldade de reconhecimento, as autoridades planejam recolher amostras de DNA antes dos sepultamentos para permitir a identificação posterior pelas famílias.
O procedimento também busca evitar riscos sanitários nas comunidades. As equipes trabalham para realizar os enterros com rapidez, mas sem perder as informações necessárias para identificar cada vítima.
O governo estima que a reconstrução custará entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 20,8 bilhões e R$ 26 bilhões. O cálculo considera os danos em moradias, estradas, pontes, centrais elétricas e prédios públicos.
Apesar da redução do risco imediato, as autoridades ainda monitoram um lago formado na parte superior da região atingida. Uma nova inundação não está descartada até que a água acumulada seja completamente drenada.
As buscas devem continuar nas localidades isoladas. O número de vítimas ainda poderá aumentar à medida que os agentes alcançarem áreas que permanecem inacessíveis.