Os Estados Unidos moveram na noite de quinta-feira (13), uma força-tarefa com o porta-aviões USS Gerald R. Ford, o mais moderno da marinha americana, para águas do Caribe, desencadeando uma escalada militar que reacende disputas geopolíticas na região, especialmente com a Venezuela.
Formação do grupo de ataque
O Gerald R. Ford, acompanhado por escoltas como destróieres e outras embarcações, foi destacado para a zona sob o comando do US Southern Command (SOUTHCOM). Segundo o Pentágono, essa movimentação busca ampliar a capacidade dos EUA de “detectar, monitorar e interromper atores ilícitos” envolvidos com narcotráfico e crime organizado no Hemisfério Ocidental.
A força-tarefa leva a bordo aeronaves de combate, incluindo jatos F-18, além de helicópteros de ataque MH-60, segundo reportagens internacionais.
Contexto da operação
A administração dos EUA justifica o reforço naval como parte de uma campanha contínua de combate ao tráfico de drogas e às organizações criminosas transnacionais. Desde setembro, foram realizadas dezenas de ataques a embarcações suspeitas no Caribe, resultando em dezenas de mortes.
Por outro lado, países da região, sobretudo a Venezuela, interpretam a operação como uma demonstração de força e uma possível pressão política. Em Caracas, líderes acusam os EUA de usar o pretexto do narcotráfico para instalar uma presença militar permanente na vizinhança.
Reações regionais
Venezuela: O presidente Nicolás Maduro denunciou a presença dos navios como um ato de intimidação e mobilizou suas forças militares em resposta.
Brasil: O comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, afirmou que a operação dos EUA no Caribe “não altera a rotina nem o preparo operacional” da Marinha brasileira.
Organismos internacionais: A ONU manifestou preocupação com o possível aumento da tensão na região, enquanto analistas internacionais veem o movimento dos EUA como a maior escalada militar no Caribe nas últimas décadas.
Implicações estratégicas
1. Pressão sobre Caracas: A presença do Ford e de outros navios é interpretada por muitos como uma forma dos EUA exercerem pressão política sobre o governo de Maduro.
2. Ameaça geopolítica: A manobra reforça a noção de que os Estados Unidos buscam manter um papel ativo na América Latina, não apenas em operações antinarcóticos, mas também como ator geopolítico estratégico.
3. Segurança regional: Países vizinhos observam com apreensão, pois a movimentação naval americana pode provocar reações militares, diplomáticas ou até mesmo econômicas.
4. Sustentação logística: O reforço naval contempla não só o navio principal, mas todo um conjunto de apoio, o que sugere uma intenção de permanência ou ao menos de manutenção prolongada da força na região.
A operação representa um divisor de águas na política de segurança no Caribe: em vez de uma simples missão pontual de combate ao tráfico, há sinais claros de construção de presença estratégica potencialmente sustentada. Para analistas, esse tipo de “domínio por dissuasão” naval pode configurar, nos próximos meses, um novo capítulo da influência militar dos EUA na América Latina.