Nove medicamentos de alta tecnologia para o tratamento de diferentes tipos de câncer começam a ser disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde nesta semana. O anúncio oficial ocorre nesta terça-feira (20), em São Paulo, durante as ações do Outubro Rosa.
A ampliação contempla pacientes com câncer de mama, próstata, pulmão, rim, tireoide e estômago, além de pessoas diagnosticadas com leucemias, linfomas e tumores neuroendócrinos.
Os medicamentos atuam de maneiras diferentes conforme o tipo de tumor, o estágio da doença e as características clínicas de cada paciente. O objetivo é aumentar a sobrevida, controlar o avanço das células cancerígenas e melhorar a qualidade de vida durante o tratamento.
Alguns dos remédios eram aguardados há mais de dez anos. Outros já apareciam como incorporados ao SUS, mas ainda não eram distribuídos regularmente aos estados.
A lista inclui o abemaciclibe, indicado para determinados casos de câncer de mama em estágio inicial. Na rede privada, o tratamento completo pode chegar a R$ 366 mil.
Também será oferecido o trastuzumabe para pacientes com câncer de estômago ou na região de transição entre o esôfago e o estômago. O medicamento atua sobre proteínas específicas que estimulam o crescimento das células tumorais.
O rituximabe será destinado ao tratamento de leucemia linfocítica crônica, linfoma folicular e linfoma difuso. Já o gefitinibe será utilizado em pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células.
Para o câncer de próstata, o SUS disponibilizará a abiraterona em casos resistentes ou sensíveis à hormonioterapia, incluindo pacientes com doença metastática.
Os medicamentos pazopanibe e sunitinibe serão oferecidos para diferentes situações envolvendo câncer renal. O sunitinibe também poderá ser utilizado em pacientes com tumor estromal gastrointestinal avançado ou metastático após falha no tratamento com imatinibe.
A lista inclui ainda o acetato de lanreotida, destinado aos tumores neuroendócrinos, e a alfatirotropina, conhecida como TSH recombinante, indicada para casos de câncer diferenciado da tireoide que necessitam de tratamento com iodo radioativo.
Inicialmente, os medicamentos estarão disponíveis em 17 estados. A oferta deverá seguir os protocolos clínicos do SUS, considerando o diagnóstico, a avaliação médica e a indicação para cada tipo de tratamento.
A estimativa é de que a incorporação dos nove medicamentos tenha impacto anual de aproximadamente R$ 4 bilhões. O Ministério da Saúde pretende disponibilizar 23 novos fármacos oncológicos até o final de 2026.
Caso a meta seja cumprida, o número de alternativas contra o câncer oferecidas na rede pública crescerá aproximadamente 35%. A ampliação busca reduzir a diferença entre os tratamentos disponíveis no SUS e na rede privada.
Os pacientes deverão procurar os serviços de oncologia onde já realizam acompanhamento. A utilização dos novos medicamentos dependerá da avaliação da equipe médica e do enquadramento nos protocolos estabelecidos para cada doença.
Medicamentos incluídos:
- Trastuzumabe: câncer de estômago ou da junção esofagogástrica;
- Abemaciclibe: determinados casos de câncer de mama em estágio inicial;
- Acetato de lanreotida: tumores neuroendócrinos;
- Pazopanibe: câncer renal metastático;
- Rituximabe: leucemia linfocítica crônica e diferentes tipos de linfoma;
- Abiraterona: câncer de próstata;
- Gefitinibe: câncer de pulmão de não pequenas células;
- Alfatirotropina: câncer diferenciado da tireoide;
- Sunitinibe: câncer renal e tumor estromal gastrointestinal.