A Organização Mundial da Saúde (OMS) intensificou nesta quarta-feira (7) o monitoramento internacional do surto de hantavírus registrado a bordo do navio de expedição MV Hondius, após a confirmação de novos casos e o avanço das investigações epidemiológicas envolvendo passageiros de diferentes países.
O episódio, considerado um dos mais incomuns já registrados envolvendo a doença, provocou uma operação global de rastreamento sanitário. Autoridades de saúde da Europa, América do Sul e África acompanham passageiros e tripulantes que estiveram na embarcação desde abril, quando surgiram os primeiros sintomas durante a viagem iniciada em Ushuaia, na Argentina.
Segundo a OMS, ao menos cinco casos já foram confirmados laboratorialmente e outros seguem sob suspeita. Três mortes relacionadas ao surto estão sendo investigadas. Entre os pacientes há passageiros da Holanda, Alemanha, Reino Unido e Suíça.
A embarcação permaneceu isolada nos últimos dias próximo a Cabo Verde após ter autorização de desembarque negada por questões sanitárias. Agora, o navio segue em direção às Ilhas Canárias, na Espanha, onde autoridades espanholas preparam protocolos especiais para atendimento médico e eventual evacuação dos casos mais graves.
A principal preocupação das autoridades está relacionada à possível circulação da variante Andes do hantavírus, identificada na América do Sul e considerada rara por permitir transmissão entre humanos em situações específicas de contato muito próximo. Apesar disso, a OMS reforçou que o risco global permanece baixo e descartou qualquer cenário semelhante ao da pandemia de Covid-19.
Investigadores trabalham com a hipótese de que o contágio inicial tenha ocorrido durante atividades realizadas na Patagônia argentina ou em áreas remotas visitadas durante a expedição marítima. Especialistas também analisam possíveis contatos com roedores silvestres infectados, principal vetor da doença.
O hantavírus é transmitido principalmente pela inalação de partículas presentes na urina, saliva ou fezes de roedores contaminados. A doença pode provocar febre alta, dores musculares, fadiga intensa e evoluir rapidamente para insuficiência respiratória grave. Não existe vacina específica contra o vírus, e o tratamento é baseado em suporte intensivo hospitalar.
Centros de controle epidemiológico da Europa e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos acompanham passageiros que deixaram o navio antes da confirmação oficial do surto. Alguns países recomendaram isolamento preventivo e monitoramento médico dos contatos próximos.
Embora raro, o avanço do caso reacendeu o alerta internacional para doenças zoonóticas emergentes e colocou o hantavírus novamente no centro das discussões sanitárias globais.