Introdução
O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), declarou que os aproximadamente R$ 400 mil em dinheiro vivo apreendidos pela Polícia Federal em seu endereço são provenientes da venda de um imóvel em Minas Gerais. O parlamentar afirmou que o valor foi recebido recentemente e que sua permanência em espécie se deveu a um “lapso” decorrente da correria do trabalho. Sóstenes garantiu que a transação está declarada em seu Imposto de Renda e que não há ilegalidade.
Desenvolvimento
Em entrevista coletiva, o deputado explicou que o dinheiro estava guardado em seu flat em Brasília. Questionado sobre a razão de não ter depositado o montante, Sóstenes reiterou que a justificativa era a falta de tempo. Ele detalhou que o dinheiro estava lacrado e foi colocado dentro de um guarda-roupa, argumentando que ninguém guardaria recursos ilícitos de forma tão exposta.
Sobre os detalhes da venda, Sóstenes demonstrou certa imprecisão, afirmando não se lembrar da data exata, mas sugerindo que o negócio foi concluído na semana anterior à operação. O líder do PL também se defendeu das acusações que motivaram a operação da PF, que investiga desvios de cotas parlamentares. Ele se declarou vítima de perseguição judicial e política, enfatizando que não tem “nada a temer”.
O parlamentar foi enfático ao negar qualquer irregularidade, classificando a investigação como uma ação voltada para a oposição. Ele contrastou a origem dos recursos com dinheiro de corrupção, que, segundo ele, não ficaria armazenado de forma identificável na residência de uma pessoa. Sóstenes também rebateu as suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo contratos de aluguel de carros.
Em sua defesa, ele mencionou que outros deputados, inclusive de esquerda, utilizam a cota parlamentar para alugar veículos com valores elevados. Sóstenes afirmou que mantém um carro alugado no Rio de Janeiro, onde mora, e outro em Brasília, prática que considerou dentro das regras estabelecidas. A operação da Polícia Federal que resultou na apreensão do dinheiro faz parte de investigações sobre o uso irregular das cotas.
Conclusão
A declaração de Sóstenes Cavalcante busca desvincular a apreensão do dinheiro das investigações de desvio de recursos públicos. O parlamentar insiste na legalidade da quantia, atribuindo-a a uma transação imobiliária e à uma falha administrativa momentânea. O caso permanece sob apuração pelas autoridades, que devem confrontar as justificativas apresentadas com as evidências colhidas durante a operação.
A situação ilustra a complexidade das investigações que envolvem figuras públicas e a movimentação de grandes quantias em espécie. Enquanto o deputado afirma tratar-se de um simples lapso, a Polícia Federal prossegue com o inquérito para determinar a origem e o destino dos recursos, dentro do contexto mais amplo de supostos desvios das cotas parlamentares.