O projeto SAFIEL, que propõe transformar o Corinthians em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) com participação direta da torcida, foi oficialmente apresentado na última terça-feira (29), em São Paulo. A iniciativa, conduzida por um grupo de empresários e torcedores, já encontra forte resistência entre os conselheiros do clube.
A proposta prevê a criação de uma nova empresa responsável pelo futebol masculino, feminino e pelas categorias de base, separando o braço esportivo do clube social. A SAFIEL promete atrair novos investidores, profissionalizar a gestão e permitir que torcedores se tornem acionistas minoritários.
Durante a apresentação, os idealizadores destacaram a urgência da mudança diante da delicada situação financeira do Corinthians que acumula dívidas superiores a R$2,7 bilhões. Segundo o grupo, o modelo daria fôlego econômico ao clube e permitiria uma reestruturação mais transparente e participativa.
Apesar das promessas, a ideia enfrenta resistência dentro do Conselho Deliberativo, responsável por aprovar qualquer alteração estatutária. Parte significativa dos conselheiros teme que o clube perca sua identidade e o controle sobre decisões estratégicas ao abrir espaço para investidores externos. A frase “o clube do povo não pode ser vendido” tem sido usada por alguns membros para sintetizar o clima de rejeição.
Outro ponto de atrito é o estatuto do Corinthians, que limita o poder de investidores e impede que um grupo privado detenha controle total da operação esportiva. Para os defensores da SAFIEL, essa barreira inviabiliza o modelo moderno de SAF pretendido; para os opositores, ela é necessária para preservar a essência associativa do clube.
Os idealizadores reconhecem a dificuldade em avançar com o projeto sem o apoio interno. Em nota, afirmaram que “a SAFIEL nasce com base na participação popular e no compromisso com a transparência, mas depende de diálogo e confiança para ser votada”.
Ainda não há data definida para que a proposta seja submetida oficialmente ao Conselho Deliberativo. O grupo estuda novas rodadas de apresentação e um plano de engajamento com sócios e torcedores.
Enquanto o debate segue, o Corinthians se vê dividido entre dois caminhos: manter o modelo associativo tradicional, que atravessa crise financeira, ou adotar uma estrutura empresarial, que promete novos investimentos, mas gera receio de perda de identidade.