Um ataque russo atingiu a Ponte Sul, uma das principais ligações sobre o rio Dnipro em Kiev, durante a madrugada desta terça-feira (27). A ofensiva também causou danos à estrutura do metrô, a um campus universitário e a instalações médicas da capital ucraniana.
Segundo autoridades da Ucrânia, a Rússia lançou 16 mísseis balísticos e mais de 280 drones contra 11 regiões do país. Ao menos uma pessoa morreu em Kiev e outras 12 ficaram feridas na área da universidade, entre estudantes e funcionários.
Equipes de emergência trabalhavam nos locais atingidos quando uma nova sequência de mísseis foi disparada. Os serviços de resgate permaneceram mobilizados durante a manhã para procurar vítimas, retirar destroços e avaliar as condições das estruturas danificadas.
A Ponte Sul é uma das principais conexões entre as duas margens da capital e integra uma importante rota rodoviária e ferroviária. A extensão dos danos e os possíveis impactos sobre a circulação ainda estavam sendo analisados pelas autoridades municipais.
O presidente Volodymyr Zelensky classificou a ofensiva como uma “grave escalada” e afirmou que áreas civis foram atingidas. O governo ucraniano voltou a pedir aos países aliados o envio de munições e sistemas adicionais de defesa aérea.
Além da capital, ataques foram registrados em outras regiões. Duas pessoas morreram em Kharkiv, de acordo com autoridades ucranianas. Também houve relatos de vítimas e danos em Pavlohrad e em estruturas de infraestrutura de diferentes localidades.
O Ministério da Defesa da Rússia informou ter realizado uma ofensiva de grande escala contra instalações ligadas ao complexo militar ucraniano e à infraestrutura de transporte. Moscou não comentou individualmente todos os pontos atingidos citados pelo governo de Kiev.
O bombardeio ocorreu enquanto líderes europeus mantinham contatos diplomáticos com os dois países. O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, e o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, conversaram com Vladimir Putin e, posteriormente, com Zelensky.
As ligações abordaram a possibilidade de retomada das negociações e a necessidade de reduzir a intensidade dos ataques. Novas conversas entre representantes da Rússia, da Ucrânia e dos Estados Unidos são esperadas para novembro, em Abu Dhabi.
Paralelamente, russos e ucranianos iniciaram uma trégua localizada na cidade ocupada de Oleshky, no sul da Ucrânia. A pausa temporária pretende permitir a entrada de ajuda humanitária e a retirada de moradores que enfrentam escassez de alimentos, água e medicamentos.
Apesar da iniciativa, o cessar-fogo não se estende ao restante do território ucraniano. A continuidade dos ataques contra Kiev evidencia a distância entre as negociações diplomáticas e uma interrupção ampla das hostilidades.