Representantes da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos iniciaram nesta sexta-feira (23) uma reunião trilateral inédita com o objetivo de buscar uma saída diplomática para a guerra no Leste Europeu, iniciada em 2022 com a invasão russa ao território ucraniano.
O encontro marca a primeira vez que os três lados envolvidos diretamente no conflito sentam à mesma mesa em um formato formal de negociação, após quase quatro anos de confrontos armados, tentativas frustradas de cessar-fogo e esforços diplomáticos bilaterais sem avanços concretos.
A agenda das conversas inclui a discussão de um cessar-fogo, possíveis garantias de segurança internacionais, mecanismos de reconstrução e, principalmente, o impasse territorial no leste da Ucrânia, com destaque para a região de Donbas. Moscou segue defendendo que qualquer acordo passe pelo reconhecimento de áreas atualmente sob controle russo, condição rejeitada por Kiev, que afirma não abrir mão de sua soberania territorial.
O governo ucraniano reforçou que negociações só avançarão se houver respeito à integridade do país e compromissos claros de segurança, enquanto os Estados Unidos atuam como mediadores, tentando aproximar posições e manter o diálogo ativo entre as partes.
A reunião acontece após uma série de movimentações diplomáticas nas últimas semanas, incluindo encontros entre lideranças ucranianas e norte-americanas em fóruns internacionais, que sinalizaram disposição para explorar uma solução negociada para o conflito.
Apesar do caráter histórico do encontro, analistas avaliam que as divergências permanecem profundas e que não há expectativa de um acordo imediato. Ainda assim, o início das negociações trilaterais é visto como um passo relevante para reduzir tensões e abrir caminho para futuras rodadas de diálogo, em um conflito que já deixou milhares de mortos e impactos econômicos e humanitários globais.