O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teve a prisão preventiva decretada nesta quarta-feira (4) por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ordem foi cumprida pela Polícia Federal (PF) em São Paulo, dentro da terceira fase da Operação Compliance Zero.
A nova etapa da investigação amplia o escopo inicial, que se concentrava em supostas irregularidades financeiras, para incluir indícios de coação, ameaças e tentativa de obstrução das investigações. Segundo informações reunidas no inquérito, há suspeita de que pessoas ligadas ao empresário teriam pressionado desafetos, ex-integrantes do grupo empresarial e possíveis colaboradores da Justiça, com o objetivo de dificultar a produção de provas e influenciar depoimentos.
De acordo com os investigadores, mensagens, registros eletrônicos e outros elementos colhidos em fases anteriores teriam reforçado a hipótese de que houve movimentações destinadas a intimidar envolvidos no caso. Esse conjunto de indícios embasou o pedido de prisão preventiva, sob o argumento de que a liberdade do investigado poderia representar risco à ordem pública e à regularidade da instrução processual.
Além da prisão, o STF autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, bem como o bloqueio e o sequestro de bens e ativos financeiros vinculados aos investigados. As medidas cautelares patrimoniais têm como objetivo preservar valores que possam estar relacionados às condutas sob apuração e evitar eventual dissipação de recursos.
O chamado Caso Master ganhou repercussão nacional após a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, no fim de 2025, em meio a problemas de solvência e indícios de inconsistências contábeis e operacionais. A Operação Compliance Zero investiga a possível existência de uma estrutura organizada voltada à prática de crimes financeiros, lavagem de dinheiro e delitos conexos.
Até o momento, a defesa de Daniel Vorcaro não divulgou posicionamento oficial sobre a decisão. O processo segue sob relatoria de André Mendonça no STF, e novas diligências não estão descartadas pelas autoridades responsáveis pela apuração.