A Polícia Rodoviária Federal (PRF) encerrou neste domingo (6) a Operação Semana Santa 2026 com o registro de 57 mortes nas rodovias federais do país. O balanço nacional também contabilizou 808 sinistros de trânsito e 814 pessoas feridas entre quinta-feira (2) e domingo (5), período de maior fluxo nas estradas por causa do feriado prolongado.
Os dados reforçam a gravidade do cenário nas BRs em datas de grande deslocamento e expõem, mais uma vez, o peso das infrações de risco sobre os indicadores de letalidade no trânsito. Neste ano, a operação teve como principal eixo o combate às ultrapassagens proibidas, apontadas pela própria corporação como uma das condutas mais associadas a colisões frontais e acidentes graves.
Durante a mobilização, a PRF intensificou a presença em trechos considerados críticos e ampliou a fiscalização sobre comportamentos como excesso de velocidade, uso do celular ao volante, embriaguez e transporte irregular de passageiros. O foco, no entanto, esteve concentrado em uma infração que segue entre as mais letais das rodovias federais: a tentativa de ultrapassar em locais proibidos ou sem condições seguras de manobra.
O próprio balanço da operação evidencia a dimensão desse problema. Segundo a PRF, mais de 4,7 mil motoristas foram flagrados realizando ultrapassagens indevidas ao longo do feriado, número que ajuda a explicar a preocupação da corporação com esse tipo de comportamento nas estradas. Em estados como Goiás, por exemplo, a PRF já vinha alertando antes da operação para o aumento da letalidade ligada a esse tipo de infração.
A divulgação do balanço nacional recoloca em debate a dificuldade de reduzir mortes nas rodovias mesmo em períodos de reforço operacional. Embora as ações de fiscalização e conscientização tenham sido ampliadas, os números da Semana Santa mostram que a combinação entre aumento do fluxo, imprudência e desrespeito às normas de trânsito ainda representa um dos principais desafios da segurança viária no país.
Com o encerramento da operação, a tendência é que os dados sirvam de base para novas estratégias da PRF ao longo de 2026, especialmente em corredores com histórico de colisões frontais e alta incidência de infrações graves. O resultado do feriado também deve alimentar novas campanhas de prevenção, num momento em que o trânsito segue entre os principais fatores de mortes evitáveis nas estradas brasileiras.