A Polícia Federal pediu, nesta segunda-feira (3), ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um terceiro inquérito envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A informação foi confirmada pela defesa do empresário. O novo pedido busca apurar outra suspeita de tráfico de influência, mas os detalhes sobre os fatos e os possíveis envolvidos ainda não foram divulgados. O procedimento deverá ser distribuído ao ministro André Mendonça ou a outro integrante do Supremo.
Na semana passada, Mendonça autorizou a abertura de dois inquéritos contra Lulinha. O primeiro investiga se ele teria atuado para favorecer interesses do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em negociações relacionadas à venda de cannabis medicinal para programas ligados ao Ministério da Saúde.
A investigação tenta esclarecer se houve uso de influência junto a integrantes do governo federal e do Palácio do Planalto em troca de pagamentos. A abertura do inquérito não representa condenação nem comprovação das suspeitas.
O segundo procedimento apura a possível atuação de Lulinha em favor de um empresário interessado em fechar negócios com a Dataprev e outros órgãos federais. A Dataprev é a empresa pública responsável pelo processamento de dados de benefícios previdenciários e pela administração de sistemas utilizados pelo INSS.
Os dois inquéritos anteriores estão sob a relatoria de André Mendonça. No caso do terceiro pedido, o STF ainda precisará decidir quem será o relator e se autorizará formalmente a abertura da investigação.
A defesa de Lulinha criticou a nova iniciativa da Polícia Federal e afirmou que pretende cobrar explicações do Ministério da Justiça. O advogado Marco Aurélio de Carvalho declarou que a sucessão de pedidos representa uma tentativa de procurar irregularidades em diferentes frentes sem que provas tenham sido encontradas nas investigações anteriores.
Os advogados também alegam que o avanço das apurações em período eleitoral pode provocar interferência política. Lulinha não ocupa cargo público e, até o momento, não foi condenado nos casos investigados.
O presidente Lula afirmou que não usará o cargo para proteger o filho. Segundo ele, Lulinha deverá retornar ao Brasil e apresentar sua defesa caso seja chamado pelas autoridades. O presidente declarou ainda que o filho não terá privilégios e deverá responder legalmente se alguma irregularidade for comprovada.
O pedido apresentado nesta segunda-feira ainda não equivale à abertura do terceiro inquérito. A investigação somente poderá começar após autorização do Supremo Tribunal Federal.