A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (1º), a Operação Inauditus para investigar um suposto esquema de venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA). A ação foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e colocou sob suspeita integrantes da cúpula do Judiciário maranhense, além de servidores, advogados e outros investigados ligados ao caso.
De acordo com a PF, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos alvos da investigação, incluindo gabinetes, escritórios de advocacia e pessoas jurídicas. As diligências ocorreram em cidades do Maranhão, além de endereços no Ceará, São Paulo e Paraíba. A apuração mira possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Segundo os investigadores, o grupo teria atuado para direcionar decisões judiciais, acelerar a tramitação de processos de forma seletiva e beneficiar interesses privados em disputas milionárias. A PF afirma ainda ter identificado movimentações financeiras suspeitas, com indícios de triangulação e ocultação da origem dos recursos, o que reforçou a suspeita de lavagem de dinheiro dentro do esquema investigado.
Além das buscas, a operação também resultou em medidas cautelares mais duras, como prisão preventiva do apontado operador do esquema, afastamento de servidores, proibição de acesso às dependências do tribunal, monitoramento eletrônico de investigados e bloqueio de bens de até R$50 milhões. O objetivo, segundo a PF, é preservar provas, interromper a atuação do grupo e evitar interferências no curso das investigações.
Em nota oficial, o Tribunal de Justiça do Maranhão informou que está colaborando com a operação e confirmou o cumprimento das determinações expedidas pelo STJ. A corte também afirmou ter efetivado medidas administrativas determinadas no âmbito da investigação e reiterou compromisso com a transparência e a apuração dos fatos.
A ofensiva desta quarta-feira amplia a crise institucional em torno do TJ-MA e volta a lançar luz sobre suspeitas de interferência indevida no andamento de processos judiciais. Embora os investigados ainda não tenham sido condenados e o caso siga sob apuração, a operação aprofunda o desgaste sobre a imagem do Judiciário maranhense e deve provocar novos desdobramentos nos próximos dias, tanto na esfera criminal quanto administrativa.