A Polícia Federal realizou, nesta terça-feira (19), uma operação para apurar o suposto vazamento de informações sigilosas relacionadas à investigação envolvendo o Banco Master. A ação teve como alvo um perito criminal federal suspeito de compartilhar dados restritos obtidos durante o andamento das apurações conduzidas pela corporação.
A ofensiva foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após representação apresentada pela própria PF. Entre as medidas determinadas pela Justiça estão mandados de busca e apreensão, além do afastamento cautelar do servidor investigado de suas funções públicas enquanto as investigações seguem em andamento.
De acordo com fontes ligadas ao caso, os investigadores apuram se documentos internos, relatórios periciais e conteúdos extraídos de equipamentos apreendidos foram repassados indevidamente a terceiros antes da conclusão oficial das diligências. O material estaria relacionado à Operação Compliance Zero, que investiga possíveis irregularidades financeiras e lavagem de dinheiro.
A suspeita é de que o investigado tenha utilizado o acesso privilegiado às informações para antecipar detalhes da investigação que estavam protegidos por sigilo judicial. O crime de violação de sigilo funcional prevê pena de detenção e multa, podendo haver agravantes em caso de comprovação de benefício indevido ou prejuízo às investigações.
A Polícia Federal informou que a operação busca preservar a integridade das apurações e identificar se outras pessoas participaram do esquema de vazamentos. Equipamentos eletrônicos, celulares e computadores foram apreendidos para perícia técnica.
O Supremo Tribunal Federal ressaltou que as medidas não envolvem jornalistas ou veículos de comunicação. A Corte afirmou ainda que a investigação está concentrada exclusivamente na possível quebra ilegal de sigilo por parte de agentes públicos com acesso às informações.
O nome do perito investigado não foi divulgado oficialmente pelas autoridades. Até a última atualização desta reportagem, a defesa dele não havia se manifestado.
As investigações continuam sob supervisão do STF e podem resultar na abertura de novos procedimentos disciplinares e criminais dentro da própria Polícia Federal.