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PF aponta R$ 48,4 milhões em pagamentos paralelos a conselheiros do TCE-MT – Click Do Povo

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PF aponta R$ 48,4 milhões em pagamentos paralelos a conselheiros do TCE-MT

A Polícia Federal identificou R$ 48,4 milhões em créditos bancários destinados aos sete conselheiros do Tribunal de Contas de Mato Grosso por meio de uma suposta folha paralela. As informações, divulgadas nesta terça-feira (3), integram a investigação que levou à prisão preventiva do presidente da Corte, Sérgio Ricardo de Almeida.

Os pagamentos foram registrados entre janeiro e outubro de 2025. No mesmo período, o Portal da Transparência do TCE-MT informou R$ 2,2 milhões em remunerações aos integrantes do órgão.

Segundo a apuração, parte dos recursos saiu diretamente das contas do tribunal, mas não passou pela folha regular de pagamento. As transferências teriam sido processadas por ordens bancárias avulsas e pelo canal utilizado para quitar compromissos com fornecedores, o que impediu a divulgação dos valores como remuneração.

Os R$ 48,4 milhões correspondem aos créditos bancários analisados pelos investigadores. A existência das movimentações, isoladamente, não significa que todo o valor tenha sido comprovadamente desviado. A PF e o Ministério Público Federal apuram a origem, a justificativa e a destinação de cada pagamento.

Sérgio Ricardo aparece como o maior beneficiário entre os conselheiros, com R$ 15,4 milhões recebidos em menos de dez meses. O Portal da Transparência havia divulgado aproximadamente R$ 288 mil em remunerações destinadas ao presidente no mesmo intervalo.

A investigação também identificou cerca de R$ 10,6 milhões em créditos ao corregedor-geral Guilherme Maluf, R$ 8,9 milhões ao conselheiro José Carlos Novelli e R$ 8,1 milhões a Alisson de Carvalho Alencar.

Outros três conselheiros aparecem nos registros bancários, mas não foram submetidos às mesmas medidas cautelares. A situação deles foi considerada limítrofe pelos investigadores, que defenderam o aprofundamento das apurações e a análise dos respectivos sigilos bancários.

A suposta folha paralela foi descoberta depois da quebra dos sigilos financeiros dos investigados. A apuração começou a partir de uma denúncia anônima enviada ao Ministério Público Federal.

O relato apontava que contratos administrativos foram suspensos em 2024 sob a justificativa de contenção de despesas. Algumas empresas, entretanto, teriam continuado a receber recursos ou registrado aumento nos pagamentos. A suspeita é de que fornecedores fossem pressionados a devolver parte dos valores a pessoas ligadas à Presidência do tribunal.

A pesquisa preliminar da Procuradoria-Geral da República constatou que quase todas as empresas mencionadas na denúncia passaram a receber valores maiores depois da suspensão dos contratos. O orçamento do TCE-MT também aumentou de R$ 763,8 milhões, em 2023, para R$ 826,3 milhões, em 2025.

A Operação Tomada de Contas foi deflagrada na quinta-feira (29). Mais de 180 policiais federais cumpriram seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Além de Sérgio Ricardo, outros cinco investigados foram presos. O Superior Tribunal de Justiça também determinou o afastamento de agentes públicos, a entrega de passaportes, o bloqueio de acesso às dependências e aos sistemas do tribunal e a preservação dos registros financeiros e administrativos.

Os fatos podem configurar, em tese, crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro, inserção de informações falsas em sistemas públicos e organização criminosa. A investigação permanece em andamento sob a supervisão do STJ, devido ao foro dos conselheiros.

O TCE-MT informou que adotará as providências necessárias para cumprir as determinações judiciais. A defesa de Sérgio Ricardo considera a prisão preventiva ilegal e afirma que o próprio Ministério Público Federal havia se manifestado contra a medida por considerá-la desnecessária.

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