Pesquisadores identificaram três novas espécies de plantas em áreas rochosas da Mata Atlântica, no Espírito Santo e em Minas Gerais. O estudo contou com a participação do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) e aponta que duas delas já apresentam risco de extinção, conforme avaliação preliminar dos autores.
A descoberta voltou a ser divulgada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação na quarta-feira (4). O artigo científico foi publicado em outubro na revista Phytotaxa.
As plantas receberam os nomes de Pleroma latisepalum, Pleroma leucotrichum e Pleroma squamipilosum. Todas pertencem à família Melastomataceae, a mesma das quaresmeiras.
A Pleroma leucotrichum foi encontrada na região de Estrela do Norte, em Castelo, no sul do Espírito Santo. Conhecida apenas de uma área restrita, foi considerada em perigo de extinção pelos pesquisadores.
A Pleroma latisepalum ocorre nos municípios mineiros de Itaipé e Novo Cruzeiro e foi avaliada como vulnerável. Já a Pleroma squamipilosum tem registros em Nova Venécia, no Espírito Santo, e em localidades de Minas Gerais, mas ainda faltam informações para determinar seu risco de extinção.
As três vivem em inselbergues, formações rochosas isoladas onde a vegetação enfrenta pouca água, solo raso e exposição intensa ao sol. Esses ambientes abrigam plantas adaptadas a condições específicas, algumas restritas a pequenas áreas.
Para confirmar que eram espécies ainda não descritas, os cientistas examinaram folhas, flores e estruturas reprodutivas. As características foram comparadas com exemplares preservados em coleções botânicas e com descrições de plantas já conhecidas.
O trabalho também utilizou registros de herbários, que mantêm amostras coletadas ao longo dos anos. Esse material permite comparar plantas de diferentes localidades e ampliar o conhecimento sobre sua distribuição.
A conservação preocupa os autores. Em Castelo, a área onde ocorre a Pleroma leucotrichum está fora de unidades de conservação e sofre pressões relacionadas à extração de rochas ornamentais, à agropecuária e ao turismo de aventura.
Em Minas Gerais, os registros da Pleroma latisepalum estão concentrados em apenas dois afloramentos rochosos. A distribuição limitada aumenta a preocupação com alterações nesses ambientes.
A pesquisa foi assinada por Fabrício Schmitz Meyer, Dayvid Rodrigues Couto, Ludovic Jean Charles Kollmann e Renato Goldenberg. Os resultados reforçam a importância de identificar e estudar a vegetação dessas formações para orientar medidas de proteção.