Introdução
O preço do ouro atingiu um novo recorde histórico nesta quinta-feira, 29, aproximando-se da marca de US$ 5.600 por onça, o equivalente a mais de R$ 29 mil. A valorização abrupta, que chegou a superar US$ 300 em um único momento durante a sessão no mercado asiático, foi impulsionada por tensões geopolíticas. Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma possível ação militar contra o Irã levaram investidores a buscar ativos considerados seguros.
Desenvolvimento
O gatilho para a alta foi uma série de mensagens publicadas por Trump em sua plataforma Truth Social, nas quais ele pressionou o Irã a retomar as negociações sobre seu programa nuclear. O presidente afirmou estar “pronto, disposto e capacitado para cumprir rapidamente sua missão, com força e rapidez, se necessário”. Ele ainda advertiu que “o próximo ataque será muito pior”, em referência a bombardeios americanos contra instalações iranianas ocorridos em junho do ano passado.
O cenário de incerteza foi agravado pela presença de um grupo de ataque naval americano, liderado pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln, em águas do Oriente Médio. Relatos da rede CNN indicavam que a administração Trump estaria considerando concretamente um ataque após o fracasso das negociações. Essa combinação de fatores fez com que o metal superasse a cotação de US$ 5.595 por onça.
Analistas de mercado destacam que o movimento vai além de uma simples busca por proteção. Stephen Innes avaliou que o ouro deixou de atuar apenas como um hedge para se tornar uma alternativa monetária quando a credibilidade das políticas enfraquece. “O ouro é o oposto da confiança. Quando a credibilidade das políticas enfraquece, o metal deixa de atuar apenas como proteção e passa a ser uma alternativa. É isso que estamos vendo agora”, explicou. A desvalorização do dólar também contribuiu para favorecer a alta dos metais preciosos.
O efeito da busca por segurança se estendeu temporariamente à prata, que também registrou valorização. Em mercados como Hong Kong, investidores que buscavam lucrar com a alta, mas encontravam o ouro inacessível devido ao preço recorde, voltaram-se para a compra de barras de prata. Lojas no centro financeiro semiautônomo chinês relataram o esgotamento de centenas de barras em pouco mais de uma hora, apesar do aumento da oferta para atender à demanda.
Conclusão
A escalada retórica entre Washington e Teerã demonstrou, mais uma vez, o poder dos eventos geopolíticos em reconfigurar os fluxos de capital global. A reação imediata dos mercados, canalizando recursos para o ouro, reflete a percepção de risco agudo entre os investidores. O episódio ilustra como ativos considerados de refúgio podem experimentar volatilidade extrema baseada em declarações oficiais e movimentos militares.
Enquanto o tempo para um acordo diplomático, na visão de Trump, “está se esgotando”, os mercados financeiros já precificaram um cenário de maior tensão. A trajetória do metal nos próximos dias permanece intimamente ligada aos desdobramentos políticos no Oriente Médio e à postura da Casa Branca, com investidores monitorando qualquer sinal de escalada ou distensão no conflito.