A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (10) uma operação para investigar um esquema de fraudes no Programa Farmácia Popular, que teria provocado um prejuízo estimado em cerca de R$30 milhões aos cofres públicos. A ação conta com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal.
Segundo as investigações, o grupo suspeito utilizava farmácias credenciadas ao programa para registrar vendas fictícias de medicamentos, com o objetivo de receber reembolsos indevidos do governo federal. Para viabilizar o esquema, eram usados CPFs de terceiros sem autorização, além da transferência de CNPJs para pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”.
Os investigadores apontam que os medicamentos lançados no sistema não eram entregues aos supostos beneficiários, o que permitia a liberação irregular de recursos públicos. A prática ocorria de forma repetida e em diferentes localidades, indicando atuação estruturada do grupo.
A apuração teve início após uma denúncia de uso indevido de CPF, o que levou os órgãos de controle a identificar movimentações atípicas e padrões suspeitos nas bases de dados do programa. O cruzamento de informações fiscais, bancárias e administrativas confirmou indícios de fraude.
Nesta fase da operação, a Justiça Federal autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão em quatro estados, além do bloqueio de bens e valores ligados aos investigados. As medidas buscam interromper o esquema e possibilitar a recuperação dos recursos desviados.
O programa Farmácia Popular é um dos principais de acesso a medicamentos no país, atendendo milhões de brasileiros, especialmente pacientes com doenças crônicas. As autoridades ressaltam que fraudes desse tipo comprometem a execução da política pública e reforçam a necessidade de fiscalização permanente para garantir que os recursos cheguem à população que depende do benefício.