Mais de 200 policiais militares participaram de uma operação em Parada de Lucas e Vigário Geral, na Zona Norte do Rio de Janeiro, na manhã desta segunda-feira (24). A chegada das equipes provocou intenso tiroteio e levou ao fechamento preventivo da Avenida Brasil e da Linha Vermelha, duas das principais vias expressas da capital fluminense.
A ofensiva representa a segunda fase de uma ação iniciada no fim de semana nas comunidades que formam o Complexo de Israel. Segundo a Polícia Militar, o objetivo é conter disputas territoriais entre grupos criminosos e combater roubos de veículos, cargas, exploração clandestina de serviços e outras atividades ilegais.
Moradores relataram uma sequência de disparos desde a madrugada. Barricadas incendiadas também foram montadas nos acessos às comunidades para dificultar o avanço dos agentes.
Escolas suspendem aulas
Ao menos quatro escolas municipais tiveram as aulas suspensas devido aos confrontos. As unidades ficam em áreas próximas aos locais onde as equipes de segurança realizam a operação.
A medida foi adotada para proteger estudantes, professores e demais funcionários. A rotina dos moradores também foi afetada pela circulação de veículos blindados e pelas restrições temporárias no trânsito.
Os bloqueios na Avenida Brasil e na Linha Vermelha foram realizados por segurança, devido à proximidade das comunidades com as pistas. As interdições provocaram congestionamentos e obrigaram motoristas a buscar rotas alternativas.
Operação mobiliza unidades especializadas
A ação reúne equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais, Batalhão de Polícia de Choque, Batalhão de Ações com Cães, Batalhão Tático de Motociclistas, Grupamento Aeromóvel e Núcleo de Apoio a Operações Especiais.
A estrutura empregada inclui 40 viaturas, 15 motocicletas, cinco veículos blindados, uma ambulância, drones e aeronaves. Retroescavadeira, caminhão-caçamba e caminhão-prancha também foram mobilizados para remover obstáculos e barricadas.
A corporação informou que a operação pretende recuperar a capacidade de policiamento e ampliar a circulação das forças de segurança em áreas controladas por grupos armados.
Combate à intolerância religiosa
Outro objetivo anunciado pela Polícia Militar é combater a perseguição religiosa dentro das comunidades. Investigações apontam que moradores e líderes de religiões de matriz africana teriam sido ameaçados ou expulsos da região por criminosos.
A operação também busca impedir restrições impostas a outros grupos religiosos e assegurar que os moradores possam exercer livremente suas crenças.
Até a última atualização, a Polícia Militar não havia divulgado um balanço sobre prisões, apreensões ou pessoas feridas durante a ação.