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Netanyahu apela por perdão antes mesmo da condenação

Muito já se falou sobre o instinto de sobrevivência do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, no comando de Israel por mais de 18 anos, e suas manobras políticas para se manter no poder. Há cinco anos ele é réu num julgamento por três casos de corrupção, que se arrasta entre guerras contra Hamas, Hezbollah e Irã, turbulências políticas e sucessivas tentativas de adiamento. Neste domingo, o premiê apelou, finalmente, ao perdão do presidente Isaac Herzog para livrá-lo das acusações antes mesmo do veredicto da Justiça.

No pedido de indulto, descrito em duas cartas de 111 páginas, redigidas por ele e por seu advogado, Netanyahu alega que o perdão presidencial “curaria as divisões sociais causadas em parte pelo julgamento e seus efeitos subsequentes”. Não é o que afirmam seus adversários, como o líder da oposição, Yair Lapid, que rejeitou expressamente a concessão ao premiê. “Não se pode conceder indulto a Netanyahu sem uma admissão de culpa, uma expressão de remorso e um afastamento imediato da vida política”, resumiu.

Outros opositores condicionaram o perdão à renúncia. Mas o primeiro-ministro, que é processado por suborno, de fraude e abuso de confiança em três casos distintos, rejeita as acusações, prega a inocência e já deixou claro que não reconhecerá qualquer culpa pelos seus atos. Nem manifesta a intenção de abandonar a carreira como o mais longevo primeiro-ministro do país e também o primeiro a ser julgado no exercício do poder.

A decisão está nas mãos do presidente, que, pela Lei Básica de Israel, pode conceder indulto a criminosos e reduzir ou alterar sentenças. Há um precedente de perdão antes do indiciamento, concedido pelo ex-presidente Chaim Herzog —pai do atual chefe de Estado—, em 1986 a quatro altos funcionários da Agência de Segurança de Israel implicados no assassinato de dois terroristas capturados e na tentativa de encobrir o crime. Nessa nova empreitada da batalha legal de Netanyahu, a ajuda do presidente americano tem sido crucial.

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