O crescimento da taxa de mortalidade por câncer de mama entre mulheres negras foi 3,8 vezes maior do que o registrado entre mulheres brancas no período de 2000 a 2020. O dado faz parte de uma publicação divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer na terça-feira (27).
O levantamento mostra que as desigualdades permanecem mesmo com a menor incidência geral da doença entre mulheres negras. Pretas e pardas são atingidas com maior frequência por tumores agressivos e recebem o diagnóstico em estágios mais avançados.
Entre as mulheres negras, 60% dos diagnósticos ocorrem quando o câncer já está em fase avançada. Entre as mulheres brancas, o percentual é de 50%.
O grupo também apresenta maior incidência do câncer de mama triplo-negativo, subtipo que possui comportamento mais agressivo e opções de tratamento mais limitadas. A doença também é identificada com maior frequência em mulheres negras com menos de 50 anos.
O Inca aponta que as diferenças podem estar relacionadas às dificuldades de acesso aos serviços de saúde, à realização de mamografias, ao diagnóstico precoce e ao início do tratamento no momento adequado.
As desigualdades socioeconômicas e as situações de estresse associadas às condições de vida também podem contribuir para o cenário. Fatores genéticos e relacionados à ancestralidade ainda precisam ser considerados nas pesquisas.
O instituto destaca que mulheres negras entre 50 e 69 anos realizam menos exames preventivos do que as brancas da mesma faixa etária. A diferença pode retardar a identificação da doença e reduzir as possibilidades de tratamento.
A publicação recomenda a adoção de políticas públicas que eliminem barreiras de acesso à mamografia, ao diagnóstico e às terapias oferecidas pelo sistema de saúde.
O documento também defende o aperfeiçoamento dos registros de raça e cor nas bases de dados. As informações são consideradas necessárias para identificar desigualdades e orientar ações específicas para os grupos mais vulneráveis.
O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres brasileiras, quando desconsiderados os tumores de pele não melanoma. O Inca estima 78.610 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028.
Em 2025, a doença provocou 21.668 mortes no país. Cerca de quatro em cada cinco diagnósticos são registrados em mulheres com 50 anos ou mais.
Segundo o instituto, aproximadamente 17% dos casos podem ser prevenidos com hábitos saudáveis. As recomendações incluem prática regular de atividade física, manutenção do peso adequado, redução do consumo de bebidas alcoólicas e amamentação.
A identificação precoce aumenta as possibilidades de tratamento. Alterações persistentes nas mamas devem ser avaliadas por um profissional de saúde, mesmo quando a pessoa não pertence à faixa etária recomendada para o rastreamento.