O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 24 horas para que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro se manifeste sobre um vídeo gravado por Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e direcionado ao pai, em mais um desdobramento da tensão entre o núcleo bolsonarista e a Corte.
A determinação foi expedida nesta segunda-feira (30) após a circulação de imagens em que o filho do ex-presidente, que está nos EUA, afirma que enviaria o conteúdo a Bolsonaro. Para Moraes, a situação pode indicar possível descumprimento das restrições impostas ao ex-chefe do Palácio do Planalto, especialmente em razão das limitações relacionadas à comunicação e ao cumprimento das condições da prisão domiciliar.
Bolsonaro está em prisão domiciliar por decisão do STF desde a semana passada, após autorização concedida por Moraes em razão do quadro de saúde do ex-presidente. A medida teve caráter temporário e foi acompanhada de regras específicas de monitoramento e controle.
Nos bastidores, o episódio foi interpretado como mais um ponto de atrito entre o Supremo e a família Bolsonaro. Eduardo, que tem mantido atuação política no exterior, voltou a entrar no radar da Corte por causa da repercussão do vídeo gravado durante agenda nos Estados Unidos. O entendimento em Brasília é que qualquer gesto público envolvendo comunicação direta com o ex-presidente, ainda que de forma indireta, tende a ser analisado com rigor pelo STF neste momento.
A cobrança de Moraes amplia a pressão judicial sobre Bolsonaro em um momento já delicado para seu entorno político. Aliados do ex-presidente vinham tentando reorganizar a articulação do grupo enquanto ele permanece afastado da vida pública cotidiana, mas a nova exigência do Supremo recoloca o núcleo familiar no centro do noticiário político e jurídico do país.
A expectativa agora é pela resposta formal da defesa dentro do prazo fixado pelo ministro. Dependendo da explicação apresentada, o STF poderá decidir se houve apenas um episódio político de repercussão pública ou se o caso terá novo peso jurídico dentro do acompanhamento das medidas impostas a Bolsonaro.