A análise preliminar das amostras coletadas na Margem Equatorial, a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, confirmou a presença de petróleo leve no reservatório subaquático. O achado foi destacado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um “petróleo chique”, traçando um paralelo direto com o padrão de qualidade descoberto nos campos do Pré-Sal em 2007.
O que torna o óleo leve mais valioso e eficiente
Na indústria de hidrocarbonetos, a qualidade do óleo cru é classificada internacionalmente pela escala de Grau API (estabelecida pelo American Petroleum Institute). A graduação determina o grau de fluidez e a densidade do material:
Petróleo Leve (Alto Grau API): É mais fino, fluido e transparente, contendo baixo índice de impurezas. Essa característica reduz o consumo de energia e insumos durante o refino, além de maximizar a produção de derivados nobres de alto valor de mercado, como querosene de aviação (QAV), gasolina automotiva e diesel de alta pureza.
Petróleo Pesado (Baixo Grau API): Apresenta textura densa e viscosa, exigindo etapas adicionais e maior custo operacional nas refinarias para ser fracionado.
De acordo com avaliações da Petrobras, o insumo amapaense atinge parâmetros comparáveis ou superiores ao Brent — a principal referência de cotação nas bolsas internacionais de commodities energéticas.
Desafios de engenharia e etapas seguintes
Apesar do elevado teor econômico do produto, o processo de exploração envolve alta complexidade tecnológica e logística em águas ultraprofundas:
1. Profundidade: A operação exige transpassar uma coluna de água (lâmina d’água) de aproximadamente 3 mil metros, além de perfurar outros 3 mil metros através de camadas de rocha no subsolo oceânico.
2. Dimensionamento: A Petrobras mantém em andamento as análises exploratórias para mensurar a extensão do volume total recuperável da jazida e atestar a viabilidade comercial da extração em larga escala.