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Máfia dos celulares: Reportagem revela esquema bilionário por trás do roubo e receptação de aparelhos no Brasil

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Uma ampla apuração policial revelada pelo Fantástico neste domingo (13) desvendou os bastidores da chamada “máfia dos celulares”, uma cadeia criminosa transnacional e altamente estruturada que movimenta cifras bilionárias com o furto, roubo, desbloqueio e receptação de smartphones no país. O que no início aparenta ser um crime de oportunidade cometido por assaltantes nas ruas das grandes capitais é, na verdade, apenas a ponta visível de uma sofisticada indústria financeira clandestina.

O esquema combina técnicas avançadas de invasão de sistemas, centros clandestinos de desmontagem e remessas internacionais de cargas de aparelhos para outros continentes.

A estrutura do crime em quatro etapas

A apuração detalha que a operação ilícita é dividida em células especializadas com funções bem definidas:

 1. A captura urbana: Grupos de assaltantes e punguistas atuam em áreas com grande concentração de pedestres, transporte público e eventos de rua com ordens expressas para subtrair aparelhos prioritariamente desbloqueados ou com a tela ativa.

 2. Os ‘laboratórios’ de invasão e desbloqueio: Em imóveis alugados no centro de metrópoles, técnicos especializados usam softwares piratas, engenharia social e mensagens fraudulentas enviadas aos donos das contas (phishing) para driblar travas de segurança e acessar senhas bancárias e carteiras digitais.

 3. Limpeza bancária imediata: Antes que a vítima consiga registrar o boletim de ocorrência e bloquear o aparelho junto à operadora, operadores financeiros realizam transferências via Pix em cascata, contratação de empréstimos automáticos e compras em cartões virtuais.

 4. O destino final (peças e exportação): Os aparelhos que não são revendidos com novas identidades de IMEI no mercado paralelo nacional são desmanchados para alimentar o comércio clandestino de peças de reposição ou despachados em containers para países da África e do Oriente Médio, onde as restrições de bloqueio das operadoras brasileiras não operam.

O elo com o crime organizado e a lavagem de dinheiro

As apurações das forças de segurança apontam que as receitas geradas pelos celulares roubados passaram a compor o orçamento das principais facções criminosas do país:

 Capital de giro para o tráfico: O dinheiro drenado das contas bancárias das vítimas é convertido rapidamente em criptomoedas ou triangulado em contas de empresas de fachada, servindo de aporte financeiro para o comércio ilegal de armas e entorpecentes.

 Empresas de fachada na cadeia logística: Lojas de conserto de eletrônicos e importadoras fictícias eram utilizadas para emitir notas fiscais simuladas e dar lastro contábil ao transporte de lotes com centenas de smartphones apreendidos pelas polícias em aeroportos e estradas.

Recomendações de segurança para o usuário

Especialistas em cibersegurança e delegados ouvidos na reportagem reforçam que a prevenção ativa é o principal mecanismo para conter prejuízos:

 Ativar o uso de senha para o chip físico (PIN) ou migrar para chips virtuais (eSIM), impedindo que o número seja transferido para outro telefone;

 Reduzir os limites diários de transferência via Pix e compras noturnas nos aplicativos bancários;

 Utilizar pastas seguras com proteção biométrica diferenciada para aplicativos financeiros e caixas de e-mail;

 Registrar imediatamente o IMEI do aparelho junto às ferramentas governamentais e operadoras para garantir o bloqueio simultâneo da linha e do aparelho.

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