O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta terça-feira (30) da 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, em Assunção, no Paraguai. O encontro reúne líderes da região em uma agenda voltada à integração econômica, ao fortalecimento do comércio e à ampliação de projetos de desenvolvimento entre os países do bloco.
A reunião ocorre em um momento estratégico para o Mercosul. Além das discussões internas entre os países-membros e associados, o bloco busca ampliar sua presença no cenário internacional e avançar em negociações comerciais com outras regiões. Entre os temas em pauta estão a integração produtiva, a infraestrutura regional, a agenda social e mecanismos de financiamento para reduzir desigualdades entre os países.
A participação de Lula também deve formalizar o compromisso brasileiro de ampliar a contribuição ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul, conhecido como Focem. O Brasil anunciou a intenção de aportar US$ 100 milhões anuais ao fundo, criado para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento regional.
O Focem é considerado uma das principais ferramentas de cooperação do bloco. Os recursos ajudam a financiar obras e projetos em áreas como transporte, energia, integração física, competitividade produtiva e desenvolvimento social. Para países menores do Mercosul, como Paraguai e Uruguai, o fundo tem papel importante na tentativa de equilibrar diferenças econômicas dentro do bloco.
A cúpula também ocorre em meio a debates sobre novos acordos comerciais. O governo brasileiro defende que o Mercosul avance em negociações externas sem perder força como bloco regional. Nas últimas semanas, Lula citou a possibilidade de aproximação comercial entre Mercosul e Japão, após reunião com autoridades japonesas durante agenda internacional.
Para o Brasil, o Mercosul segue relevante tanto no campo diplomático quanto econômico. Em 2025, as exportações brasileiras para países do bloco chegaram a quase US$ 26 bilhões, o equivalente a 7,5% do total exportado pelo país. O comércio regional tem peso especial para produtos industrializados, setor automotivo, máquinas, químicos e cadeias produtivas integradas.
O encontro em Assunção também tem peso político. O Mercosul reúne governos com diferentes orientações ideológicas, o que exige negociação constante para manter consensos mínimos em temas comerciais, diplomáticos e institucionais. A presença dos chefes de Estado funciona como espaço de articulação para alinhar posições e evitar que divergências nacionais paralisem o bloco.
A agenda de Lula no Paraguai ocorre no mesmo dia em que o governo federal lançou o Plano Safra 2026/2027 no Brasil, uma das principais agendas econômicas do ano. A viagem reforça a tentativa do governo de combinar política externa regional com medidas internas voltadas à produção, exportação e desenvolvimento econômico.
A Cúpula do Mercosul deve terminar com declarações conjuntas e encaminhamentos sobre integração, financiamento regional e comércio. Para o Brasil, o desafio será transformar o discurso de fortalecimento do bloco em medidas concretas capazes de ampliar mercado, reduzir entraves e dar mais competitividade à economia regional.