Introdução
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta terça-feira (27) que viajará a Washington, nos Estados Unidos, no início de março para um encontro presencial com o presidente norte-americano, Donald Trump. A reunião, descrita por Lula como uma conversa “olho no olho”, foi acertada durante um telefonema entre os dois líderes na segunda-feira (26). O anúncio foi feito pelo mandatário brasileiro após sua chegada ao Panamá, onde participa do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe.
Desenvolvimento
Lula destacou a importância do diálogo direto entre os chefes de Estado das duas principais democracias do Ocidente. “Acho que dois chefes de Estado precisam conversar olhando um no olho do outro, para que a gente possa discutir as boas relações entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou o presidente. Durante a mesma viagem, ele já manteve contatos com outros líderes internacionais, incluindo o presidente francês, Emmanuel Macron, e o chileno, Gabriel Boric, discutindo temas como multilateralismo e democracia.
A conversa telefônica entre Lula e Trump marcou o primeiro contato direto entre os dois desde a intervenção militar norte-americana na Venezuela no início de janeiro. Na ocasião, os Estados Unidos invadiram o país vizinho e retiraram do poder o dirigente Nicolás Maduro, que segue detido em território norte-americano junto com a esposa. Durante o telefonema, os presidentes também trataram especificamente da situação venezuelana, um tema sensível nas relações bilaterais.
O posicionamento do governo brasileiro sobre a ação militar na Venezuela já havia sido expresso publicamente por Lula na semana anterior. Na última sexta-feira (23), o presidente classificou o episódio como uma “falta de respeito” e afirmou que a América Latina não abaixaria a cabeça para ninguém. Ele também caracterizou o momento político mundial como “muito crítico”, com a Carta das Nações Unidas sendo “rasgada” e a prevalência da “lei do mais forte” nas relações internacionais.
A expectativa é que Lula utilize o cenário de instabilidade global para reiterar antigas bandeiras da política externa brasileira. Entre elas está o pedido de reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, uma reivindicação que o petista mantém desde seu primeiro mandato, em 2002. O presidente expressou otimismo quanto ao restabelecimento da normalidade nas relações internacionais e ao fortalecimento do multilateralismo.
Conclusão
O encontro marcado para março representa um momento significativo na reaproximação diplomática entre Brasil e Estados Unidos após um período de tensões relacionadas à situação venezuelana. Lula demonstrou confiança de que as economias voltarão a crescer e que o multilateralismo será fortalecido, atendendo às expectativas das populações. A viagem a Washington consolidará um canal direto de diálogo entre os dois líderes em um contexto internacional particularmente desafiador.
A agenda do presidente brasileiro no Panamá reflete seu engajamento em debates sobre o futuro da governança global e o papel da América Latina no cenário internacional. As declarações de Lula indicam uma postura ativa na defesa de uma ordem multilateral mais equilibrada, mesmo ao buscar manter relações construtivas com potências tradicionais como os Estados Unidos. O desfecho dessas articulações poderá influenciar significativamente o posicionamento do Brasil em fóruns internacionais nos próximos meses.