O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como um “dia histórico para o multilateralismo” a aprovação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, concluída na sexta-feira (9) após mais de duas décadas de negociações entre os dois blocos.
Em declaração divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula afirmou que o entendimento representa uma vitória do diálogo e da cooperação internacional em um cenário global marcado por tensões geopolíticas, protecionismo e disputas comerciais. Segundo o presidente, o acordo reforça a importância das regras multilaterais e do comércio como instrumentos de desenvolvimento econômico e aproximação entre países.
O tratado envolve o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai e os 27 países da União Europeia. Juntos, os blocos somam um mercado de mais de 700 milhões de pessoas e respondem por parcela significativa do comércio e do Produto Interno Bruto global. A expectativa do governo brasileiro é de que o acordo amplie o acesso de produtos nacionais ao mercado europeu, estimule investimentos estrangeiros e fortaleça a integração econômica do Brasil com economias desenvolvidas.
A aprovação no âmbito europeu representa uma etapa decisiva do processo, que agora avança para os trâmites finais, incluindo a assinatura formal e a ratificação pelos parlamentos dos países envolvidos. No Brasil, o texto também precisará passar pelo Congresso Nacional antes de entrar em vigor.
Para o governo federal, a conclusão do acordo consolida a estratégia de reinserção internacional do país e reforça o papel do Brasil como defensor do multilateralismo, do comércio sustentável e da cooperação entre regiões. A avaliação é de que o entendimento com a União Europeia pode gerar impactos de longo prazo para setores como agronegócio, indústria, serviços e inovação, além de ampliar o protagonismo do Mercosul no cenário econômico global.