A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 96% em relação ao mesmo período do ano passado. O balanço foi divulgado na noite de quinta-feira (6) e repercute no mercado financeiro nesta sexta-feira (7).
O resultado foi o terceiro maior lucro trimestral da história da companhia e superou com folga as projeções dos analistas. A expectativa do mercado era de um ganho próximo de R$ 44,7 bilhões.
O desempenho foi impulsionado pelo aumento da produção de petróleo e gás, pela maior utilização das refinarias e pela valorização internacional do barril durante o conflito entre Estados Unidos e Irã.
Receita cresce 42%
A receita líquida da Petrobras alcançou R$ 169,5 bilhões entre abril e junho, alta de 42,3% na comparação com o segundo trimestre de 2025. Analistas consultados pelo mercado projetavam aproximadamente R$ 160,4 bilhões.
O Ebitda ajustado, indicador utilizado para medir o desempenho operacional das empresas, atingiu R$ 93,8 bilhões. O resultado representa crescimento de 79,6% em um ano e também ficou acima da estimativa de R$ 90,1 bilhões.
A companhia atribuiu o balanço aos recordes alcançados nas áreas de exploração, produção e refino. A entrada de novas plataformas e o aumento da capacidade de unidades que já estavam em operação contribuíram para elevar o volume produzido.
Petróleo mais caro impulsiona resultado
O preço médio do petróleo Brent ficou em US$ 104,52 por barril durante o segundo trimestre. No mesmo período de 2025, a cotação média havia sido de US$ 67,82.
A valorização ocorreu em meio à escalada do conflito no Oriente Médio e às preocupações com o transporte internacional de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Como a Petrobras vende parte de sua produção com base nos preços internacionais, o barril mais caro aumentou a receita da estatal.
A empresa também reduziu a importação de derivados e ampliou o processamento de petróleo em suas refinarias. A estratégia foi adotada para atender à demanda interna e limitar os efeitos da instabilidade internacional sobre o abastecimento brasileiro.
Dividendos de R$ 17,4 bilhões
O conselho de administração aprovou a distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas. O valor corresponde a aproximadamente R$ 1,35 por ação.
O pagamento seguirá o calendário que será informado pela empresa aos investidores. A União, como controladora da Petrobras, receberá parte dos recursos conforme sua participação no capital da companhia.
A distribuição ocorre depois de o fluxo de caixa livre alcançar R$ 38,6 bilhões no trimestre, aproximadamente o dobro do registrado no mesmo período do ano passado.
Investimentos passam de R$ 27 bilhões
A Petrobras investiu cerca de R$ 27,1 bilhões no segundo trimestre, aumento próximo de 20% em relação ao mesmo período de 2025.
A área de exploração e produção recebeu 82% desse montante. Os recursos foram destinados principalmente ao desenvolvimento de campos de petróleo, à instalação de novas plataformas e à manutenção do crescimento da produção.
A estatal vem ampliando a operação de unidades no pré-sal, incluindo plataformas nos campos de Búzios e Mero. O objetivo é sustentar o aumento da produção nos próximos anos.
Medidas do governo reduziram ganhos
Apesar do lucro elevado, a Petrobras informou que medidas adotadas pelo governo federal reduziram parte do resultado do trimestre.
A companhia pagou aproximadamente R$ 4,9 bilhões em razão da cobrança temporária de 12% sobre as exportações de petróleo bruto e diesel. O tributo foi criado depois da elevação dos preços provocada pelo conflito no Oriente Médio.
O fluxo de caixa também foi afetado pelo atraso no recebimento de R$ 9,7 bilhões referentes a subsídios ligados às medidas de controle dos preços dos combustíveis.
Mesmo com esses impactos, o aumento da produção e a valorização do petróleo garantiram um dos resultados financeiros mais fortes já registrados pela Petrobras.