O Jornal Nacional teve acesso a documentos inéditos sobre a crise dos Correios. A reportagem é de Thiago Resende e Júlio Mosquéra. O Conselho Fiscal dos Correios fez ao menos quatro alertas, desde 2023, sobre o aumento das despesas e a perda de receita da estatal.
Documentos internos mostram grande preocupação dos conselheiros – um representante do Tesouro Nacional e dois do Ministério das Comunicações. Em agosto de 2023, o Conselho cobrou informações sobre medidas tomadas para redução de despesas e um plano de ação para geração de receitas. Dois meses depois, os conselheiros alertaram para o alto custo da folha de pagamento e a baixa capacidade da empresa de reduzir despesas no curto prazo.
Já em abril de 2024, o Conselho Fiscal apontou que as metas de receitas definidas pelos Correios pareciam arrojadas, considerando o histórico que se mostrava mais conservador. Ou seja, as receitas estavam superestimadas. Os alertas foram mais fortes em agosto de 2024: risco de insuficiência orçamentária.
O Conselho Fiscal manifestou preocupação com a perspectiva de a estatal não atingir a meta de receita e defendeu a necessidade de adequação das despesas. Alertou que isso era essencial para proteger os ativos dos Correios, garantir a continuidade das operações e alcançar os objetivos estratégicos. Em 2024, a empresa teve um déficit de R$ 2,6 bilhões.