Leonardo Jardim já chega ao Flamengo pressionado. Escolhido pelo presidente Bap para substituir o demitido Filipe Luís, ele terá a missão de estancar a crise no futebol e acolher o elenco, que ficou comovido pela saída do antigo treinador. O português terá poucos dias para mexer com os ânimos do grupo, que vai disputar a decisão do Campeonato Carioca no domingo, contra o Fluminense.
O clima no Ninho do Urubu fechou, e os jogadores criticaram muito a forma como a diretoria demitiu Filipe, depois da goleada por 8 a 0 sobre o Madureira. Apesar do descontentamento de alguns com as escolhas do ex-técnico, a maioria apoiava e tinha boa relação com Filipe Luís. Os líderes do elenco, como Danilo, Jorginho e Arrascaeta, saíram em defesa do treinador.
Por outro lado, a relação com José Boto está abalada. Os jogadores relatam distanciamento do diretor de futebol no dia a dia, especialmente em momentos de crise, como o atual. O discurso do português no dia seguinte à demissão de Filipe foi mal recebido — ele culpou o elenco pela saída do técnico.
Leonardo Jardim tem a seu favor a mesma nacionalidade que José Boto. Técnico e diretor de futebol tendem a “falar a mesma língua” e se entender mais rapidamente neste processo de adaptação. Mas o treinador precisará ter jogo de cintura para acolher os jogadores do Flamengo e lidar com o ego.
Desde a época de Filipe, havia uma concorrência interna grande por espaço no time, além de “ciúmes” por diferenças contratuais, especialmente em função da valorização de atletas recém-chegados. Filipe Luís não conseguiu agregar todo o grupo, e pequenas divergências ajudaram a encurtar a passagem do treinador pelo Ninho do Urubu. A avaliação da diretoria do Flamengo é que faltou pulso firme ao ex-técnico em algumas situações.
A aposta é que Leonardo Jardim seja mais duro e cobre mais dos jogadores no dia a dia. Para o presidente Bap, pela estrutura do clube e qualidade do elenco, o Fla não poderia ter desempenhado mal e perdido os dois títulos que disputou em 2026. Jardim é conhecido pelo temperamento forte e por defender suas convicções.
Não tem medo de comprar brigas, seja com a diretoria ou com o elenco. No Cruzeiro, ele colocou medalhões como Dudu e Gabigol no banco de reservas. Dudu questionou publicamente a decisão do treinador e acabou rompendo com o clube e se transferindo para o rival Atlético-MG.
É um técnico que participa ativamente de todos os processos e gosta de opinar nos pequenos detalhes. O acordo entre o técnico e o Flamengo discutiu a necessidade de uma postura mais árdua com o elenco. Há uma leitura de acomodação depois dos títulos conquistados em 2025.
Desde a tarde desta quarta, quando teve o primeiro contato com os jogadores, Leonardo Jardim abraçou a missão de motivar o grupo e tomar as decisões sem medo de fazer “inimizades”, com o respaldo do diretor de futebol José Boto e do presidente Bap.