Um relatório técnico elaborado pela Polícia Federal (PF) apontou uma coincidência cronológica direta entre transferências financeiras investigadas e gastos efetuados durante a etapa de filmagens de uma produção audiovisual biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento faz parte dos inquéritos que apuram eventuais irregularidades na origem e destinação de recursos ligados ao entorno do ex-mandatário.
Os peritos financeiros da corporação cruzaram extratos bancários, notas fiscais e dados de geolocalização para mapear o fluxo do dinheiro utilizado no custeio da logística e da equipe responsável pelas gravações.
Principais apontamentos da perícia financeira
A apuração conduzida pelos investigadores destaca pontos centrais no fluxo de recursos:
Sincronia nas datas: O relatório indica que repasses expressivos de recursos ocorreram em momentos concomitantes a despesas de passagens, hospedagens e diárias da equipe técnica envolvida na rodagem do documentário.
Empresas intermediárias: A investigação mira contratos e movimentações entre empresas do setor audiovisual e pessoas físicas ligadas a campanhas ou à articulação política, apurando se houve triangulação indevida de valores.
Destinação dos recursos: O objetivo da PF é esclarecer se o projeto cinematográfico foi financiado com recursos de origem lícita e declarada ou se serviu como mecanismo para mascarar repasses e pagamentos paralelos.
Defesa e próximos passos
Os autos seguem sob sigilo parcial no âmbito das investigações conduzidas junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). As defesas dos envolvidos e os responsáveis pela produtora sustentam a regularidade de todos os contratos, afirmando que a captação e o uso dos recursos obedeceram às normas legais do setor cinematográfico e que os devidos esclarecimentos contábeis serão anexados ao processo.