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Impasse na UE adia assinatura do acordo Mercosul–União Europeia

A assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, prevista para este sábado (20), foi adiada após a Comissão Europeia não conseguir consenso entre os 27 países do bloco. A decisão posterga para janeiro de 2026 a formalização do tratado negociado há mais de duas décadas e considerado estratégico por ambos os lados.

O principal entrave está na resistência de países europeus com forte setor agrícola, liderados por França e Itália. Governos e produtores argumentam que o acordo, nos moldes atuais, pode ampliar a concorrência de produtos sul-americanos, especialmente carnes e grãos, sem garantias suficientes de salvaguardas ambientais e sanitárias. A pressão ganhou força com protestos de agricultores em Bruxelas nos últimos dias, o que elevou o custo político da assinatura imediata.

Do outro lado, países como Alemanha e Espanha defendem o avanço do pacto, apontando ganhos comerciais e geopolíticos, além da diversificação de parceiros em um cenário internacional mais fragmentado. Ainda assim, a falta de apoio unânime no Conselho Europeu impediu a Comissão de autorizar a assinatura na data prevista.

No Brasil, o adiamento foi recebido com cautela. Integrantes do governo avaliam que o acordo segue como prioridade, mas reconhecem que a decisão depende agora da capacidade da União Europeia de acomodar demandas internas. Diplomatas brasileiros reforçam que o texto técnico está concluído e que ajustes adicionais podem destravar o processo.

A expectativa é que novas rodadas de negociação ocorram nas próximas semanas para viabilizar salvaguardas exigidas por países europeus resistentes. Até lá, o atraso mantém em suspenso um acordo que criaria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 780 milhões de consumidores e ampliando o acesso do Mercosul ao mercado europeu.

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