Introdução
O Serviço de Imigração e Controle Alfandegário dos Estados Unidos (ICE) conferiu novos poderes a seus agentes, permitindo a realização de prisões sem a necessidade de mandados judiciais. A medida, reportada pelo The New York Times, representa uma expansão significativa da autoridade de agentes de nível inferior durante operações de campo. Esta mudança ocorre em um contexto de intensificação das ações de fiscalização migratória sob a administração do presidente Donald Trump.
Desenvolvimento
De acordo com a publicação, a nova diretriz amplia a capacidade dos agentes para conduzir buscas e apreensões, detendo indivíduos que encontrem e suspeitem serem imigrantes em situação irregular. Anteriormente, muitas operações seguiam um modelo mais direcionado, onde os agentes partiam com um mandado específico para prender uma pessoa em particular. A alteração potencialmente transforma a natureza do policiamento migratório, priorizando abordagens mais amplas.
Esta não é a primeira ampliação de poderes do ICE neste ano. Em maio de 2025, a agência já havia autorizado seus agentes a entrarem em propriedades particulares utilizando apenas mandados administrativos, e não ordens judiciais. Essas mudanças cumulativas fortalecem o braço executivo da imigração, reduzindo a supervisão judicial imediata sobre certas ações. A política se alinha com a agenda de endurecimento das deportações, um dos pilares da plataforma do presidente Trump.
As novas regras estão sendo aplicadas durante uma grande operação do ICE em Minneapolis, que tem como objetivo prender e deportar imigrantes. A ação, contudo, gerou forte oposição social e foi marcada por um episódio trágico: duas pessoas, ambas cidadãs americanas identificadas como Renee Good e Alex Pretti, foram mortas a tiros por agentes do ICE. Os incidentes aumentaram a tensão na cidade, que se declara um santuário para imigrantes e se recusa a cooperar com agências de combate à imigração irregular.
Em resposta às mortes e à operação, milhares de pessoas participaram de uma passeata em Minneapolis nesta sexta-feira. O protesto foi parte de um dia de ação nacional, batizado de “apagão nacional”, convocado por organizações de defesa dos direitos dos imigrantes. Entre os participantes estava o astro do rock Bruce Springsteen, que cantou uma música em memória dos ativistas falecidos. A manifestação recebeu apoio de políticos democratas, que controlam o estado de Minnesota e a prefeitura da cidade.
Conclusão
A expansão dos poderes do ICE para prisões sem mandado judicial ocorre, portanto, em um momento de profunda polarização sobre a política migratória nos Estados Unidos. De um lado, a administração federal avança com medidas para intensificar a fiscalização; de outro, cidades santuário e movimentos sociais organizam resistência. As mortes de cidadãos americanos durante as operações adicionaram um elemento crítico de controvérsia e mobilização pública ao debate.
O cenário atual ilustra o conflito entre diferentes níveis de governo e visões sobre imigração. Enquanto o governo Trump defende as ações como necessárias para a segurança e aplicação da lei, opositores as enxergam como excessivas e perigosas. O desfecho deste embate terá implicações significativas para o futuro da política de imigração americana e para as comunidades diretamente impactadas pelas operações do ICE.